Um blog para os desesperados alunos do 11º, que nao tiveram tempo para ler o livro ou simplesmente para algum trabalho que seja necessa'rio =P ... so' eu pa ter paciencia pa 1a cena destas... Miss Bree...
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
cronica des costumes

Crónica de Costumes

Caracterização de Portugal em “Os Maias”

 

Ao subtítulo de “Os Mais”, Episódios da Vida Romântica, corresponde a crónica de costumes. Estes episódios, descritos ao longo da obra, têm como objectivo fazer o relato da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX. Eça utiliza um desfile de personagens (personagens tipo) que representam grupos, classes sociais ou mentalidades por forma a mostrar aos leitores o estado de corrupção, providencialismo e parasitismo da sociedade portuguesa, bem como, seus costumes e vícios.

 

 

O jantar no Hotel central

 

Neste jantar, Ega pretende homenagear Cohen, o marido de Raquel, a quem Ega estava apaixonado e com a qual mantinha uma relação. Em roda da mesa surgiram assuntos do foro literário e politico que permitem ter uma noção da situação de Portugal.

Literário: Alencar defende o Ultra-Romantismo enquanto que Ega o Realismo/Naturalismo (mostra uma sociedade dominada por valores tradicionais, que se opõe a uma nova geração, a geração de 70 representada por Ega). Este defende exageradamente a inserção da ciência na literatura.

Político: Ega crítica a decadência do país e afirma desejar a bancarrota e a invasão espanhola.

A maneira de ser português revelada, através das visões de Carlos (começa por pensar, a propósito da mouraria, que "esse mundo de fadistas, de faias" merecia um estudo, um romance) e de Craft, que fica impassível perante a feroz discussão entre Alencar e Ega (a propósito de um verso "o homem da ideia nova", o paladino do Realismo), discussão que quase termina em agressão física, reconhecendo que "a torpeza do Alencar sobre a irmã do outro fazia parte dos costumes de crítica em Portugal", até porque sabia que "a reconciliação não tardaria, ardente e com abraços".

Provocando Sousa Neto, Ega percebe que este nada sabe do socialismo e não é capaz de um diálogo consequente.

 

 

A corrida de cavalos

 

É uma sátira ao desejo de imitar o que se faz no estrangeiro, por um esforço de cosmopolitismo, e ao provincianismo do acontecimento. As corridas de cavalos permitem apreciar de forma irónica e caricatural uma sociedade que vive de aparências.

O comportamento da assistência feminina é naturalmente caricaturado. A conformidade do vestuário à ocasião parece não ser a melhor e acaba por traduzir a falta de gosto e, sobretudo, o ridículo de uma situação que se pretende requintada sem o ser.

As corridas servem, para Eça, criticar a mentalidade e o comportamento da alta burguesia:

- O aborrecimento, motivado pelo facto das pessoas não revelarem qualquer interesse pelo evento.

- A desordem, originada pelo jóquei que montava o cavalo "Júpiter" e que insultava Mendonça, o juiz das corridas, pois considerava ter perdido injustamente em detrimento do Pinheiro, que montara o Escocês e que obtivera a vitória por ser íntimo de Mendonça. Tomava-se partido, havia insultos, até que Vargas resolveu com um encontrão para os lados desafiar o jóquei – foi, então, que se ouviu uma série de expressões como "Morra" e "Ordem", se viram chapéus pelo ar, se ouviam baques surdos de murros.

 

 

O jantar na casa do Conde Golvarinho

 

O espaço social permite através das falas, observar a gradação dos valores sociais, o atraso intelectual do país, a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia.

Desfilam perante Carlos as principais figuras e problemas da vida política, social e cultural da alta sociedade lisboeta: a crítica literária, a literatura, a história de Portugal, as finanças nacionais, etc. Todos estes problemas denunciam uma fragilidade moral dessa sociedade que pretendia apresentar-se como civilizada.

No jantar podemos apreciar duas concepções opostas sobre a educação das mulheres: salienta-se o facto de ser conveniente que "uma senhora seja prendada, ainda que as suas capacidades não devam permitir que ela saiba discutir, com um homem, assuntos de carácter intelectual" (Ega, provocador, defende que "a mulher devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem").

A falta de cultura dos indivíduos que são detentores de cargos que os inserem na esfera social do poder – Sousa Neto (oficial superior de um cargo de uma grande repartição do Estado, da Instituição Pública), desconhece Proudhon, começando por responder a Ega que, provocante, lhe pergunta a sua opinião sobre o socialista, que não se recorda textualmente, depois "que Proudhon era um autor de muito nomeada", e finalmente, perante a insistência de Ega, sintetiza a sua ignorância, afirmando que não sabia que "esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos", como o amor, acrescentando que era seu hábito aceitar "opiniões alheias, pelo que dispensava as discussões". Posteriormente, perguntará a Carlos se existe literatura em Inglaterra.

O deslumbramento pelo estrangeiro – Sousa Neto manifesta a sua curiosidade em relação aos países estrangeiros, interrogando Carlos, o que revela o aprisionamento cultural de Sousa Neto, confinado ás terras portuguesas.

 

 

Os Jornais, “A Corneta do Diabo” e “A Tarde”

 

Critica-se, neste episódio, a decadência do jornalismo português, pois os jornalistas deixavam-se corromper, motivados por interesse económicos (é o caso de Palma Cavalão, do Jornal A Corneta do Diabo) ou evidenciam uma parcialidade comprometedora, originada por motivos políticos (é o caso de Neves, director do Jornal A Tarde).

A Corneta do Diabo: Carlos dirige-se, com Ega, a este jornal, que publicara uma carta, escrita por Dâmaso Salcede, insultando e expondo, em termos degradantes, a sua relação amorosa com Maria Eduarda. Palma Cavalão revela o nome do autor da carta e mostra aos dois amigos o original, escrito pela letra de Dâmaso Salcede, a troco de "cem mil réis"

A Tarde: Neves, o director do jornal, acede a publicar a carta em que Dâmaso Salcede se confessa embriagado ao redigir a carta insultuosa, mencionando a relação de Carlos e de Maria Eduarda, por concluir que, afinal, não se tratava do seu amigo político Dâmaso Guedes, o que o teria levado a rejeitar a publicação.

 

 

O sarau do Teatro da Trindade

 

Evidencia-se o gosto dos portugueses, dominados por valores caducos, enraizados num sentimentalismo educacional e social ultrapassados. Total ausência de espírito crítico e analítico da alta burguesia e da aristocracia nacionais e a sua falta de cultura.

Rufino, o orador “sublime”, que pregava a “caridade” e o “progresso”, representa a orientação mental daqueles que o ouviam: a sua retórica vazia e impregnada de artificialismos barrocos e ultra-românticos traduz a sensibilidade literária da época, o seu enaltecimento á nação e à família.

Cruges, que tocou Beethoven, representa aqueles que, em Portugal, se distinguiam pelo verdadeiro amor à arte e que, tocando a Sonata patética, surgiu como alvo de risos mal disfarçados, depois de a marquesa dizer que se tratava da Sonata Pateta, o que o tornaria o fiasco da noite.

Alencar declamou “A Democracia”, depois de “um maganão gordo” lamentar que nós Portugueses, não aproveitássemos “herança dos nossos avós”, revelando um patriotismo convincente. O poeta aliava, agora, poesia, e política, numa encenação exuberante, que traduzia a sua emoção pelo facto de ter ouvido “uma voz saída do fundo dos séculos” e que o levava a querer a República, essa ”aurora” (e os aplausos foram numerosos) que viria com Deus.

 


sinto-me =S:

publicado por miss.bree às 11:55
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Teste de portugues

Personagens:

Carlos da Maia é o protagonista, segundo filho de Pedro e Mª Monforte. Após o suicídio do pai vai viver com o avô para Santa Olávia, sendo educado à inglesa pelo preceptor, o inglês Brown. Sairá de Santa Olávia para tirar Medicina em Coimbra. Descrito como um belo jovem da Renascença com olhos negros e líquidos próprios dos Maias, alto, bem feito, de ombros largos, com uma testa de mármore sob os anéis dos cabelos pretos, barba muito fina, castanho escura, rente na face, aguçada no queixo e com um bonito bigode arqueado aos cantos da boca, era admirado pelas mulheres, elegante na sua toilette e nos carros que guia. Depois do curso acabado, viaja pela Europa. Regressando a Lisboa traz planos grandiosos de pesquisa e curas médicas, que abandona ao sucumbir à inactividade, pois, em Portugal, um aristocrata da sua estirpe não é suposto ser médico. Apesar do entusiasmo e das boas intenções fica sem qualquer ocupação e acaba por ser absorvido por uma vida social e amorosa que levará ao fracasso das suas capacidades e à perda das suas motivações. É um diletante que se interessa por imensas coisas, demonstrando um comportamento dispersivo. Carlos transforma-se numa vítima da hereditariedade (visível na sua beleza e no seu gosto exagerado pelo luxo, herdados da mãe e pela tendência para o sentimentalismo, herdada do pai) e do meio em que se insere, mesmo apesar da sua educação à inglesa e da sua cultura, que o tornam superior ao contexto sociocultural português. Será absorvido pela inércia do país, assumirá o culto da imagem, numa atitude de dândi. A sua superioridade e distância em relação ao meio lisboeta é traduzida pela ironia e pela condescendência. O dandismo revela-se em Carlos num narcisismo que se alia ao gosto exagerado pelo luxo e também na auto-marginalização voluntária em relação à sociedade, motivada pelo cepticismo e pela consciência do absurdo e do vazio que governa o mundo daqueles que o rodeiam. A sua verdadeira paixão nascerá em relação a Mª Eduarda, que compara a uma deusa e jamais esquecerá. Por ela dispõe-se a renunciar a preconceitos e a colocar o amor no primeiro plano. Ao saber da verdadeira identidade de Mª Eduarda consumará o incesto voluntariamente por não ser capaz de resistir à intensa atracção que Mª Eduarda exerce sobre ele. Acaba por assumir que falhou na vida, tal como Ega, pois a ociosidade dos portugueses acabaria por contagiá-lo, levando-o a viver para a satisfação do prazer dos sentidos e a renunciar ao trabalho e às ideias pragmáticas que o dominavam quando chegou a Lisboa, vindo do estrangeiro. Simboliza a incapacidade de regeneração do país a que se propusera a própria Geração de 70. Não teme o esforço físico, é corajoso e frontal, amigo do seu amigo, parece incapaz de fazer uma canalhice. É uma personagem modelada.

 

Mª Eduarda: é apresentada como uma deusa. Dizendo-se viúva de Mac Green, sabia apenas que a sua mãe abandonara Lisboa, levando-a consigo para Viena. Tivera uma filha de Mac Gren, Rosa. À sua perfeição física alia-se a faceta moral e social que tanto deslumbram Carlos. A sua dignidade, a sensatez, o equilíbrio e a santidade são características fundamentais da sua personagem, às quais se juntam uma forte consciência moral e social aliadas a uma ideologia progressista e pragmática, fazendo ressaltar a sua dualidade aristocrática e burguesa. Salienta-se ainda a sua faceta humanitária e a compaixão pelos socialmente desfavorecidos. A súbita revelação da verdadeira identidade de Mª Eduarda, vai provocar em Carlos estupefacção e compaixão, posteriormente o incesto consciente, e depois deste, a repugnância. A separação é a única solução para esta situação caótica a que se junta a morte de Afonso, consumando as predições de Vilaça. A sua apresentação cumpre os modelos realista e naturalista, é o exemplo de que o indivíduo é um produto do meio, pelo que coincidem no seu carácter e no espaço físico que ela ocupa duas vertentes distintas da sua educação: a dimensão culta e moral, construída aquando da sua estadia e educação num convento, e a sua faceta demasiado vulgar, absorvida durante o convívio com sua mãe. Ela é o último elemento feminino da família Maia e simboliza, tal como as outras mulheres da família, a desgraça e a fatalidade. a mulher surge na obra como um factor de transformação do mundo masculino, conduzindo à esterilidade e à estagnação. É de uma enorme dignidade, principalmente quando não quer gastar o dinheiro de Castro Gomes por estar ligada a Carlos. Adivinha-se bondosa e terna, culta e requintada no gosto. No final da obra, parte para Paris onde mais tarde de saca com Mr. de Trelain, casamento considerado por Carlos o de dois seres desiludidos. É uma “personagem-tipo”.

 

Afonso da Maia: Física/: maciço, ñ mt alto, ombros quadrados e fortes, de cara larga, nariz aquilino, pele corada, cabelo branco, barba comprida e branca. Psicológica/: duro, clássico, ultrapassado, paciente, caridoso (ajuda os +pobres e +fracos), nobre, espírito são, rígido, austero, risonho e individualista. Símbolo de…liberalismo (na juventude), integridade moral e rectidão de carácter, eco e reflexo do passado glorioso, Portugal integro, associado a 1 passado heróico, incapacidade de regeneração do país, modelo de autodomínio. Morre de apoplexia, no jardim do Ramalhete, na sequência do incesto dos netos, Carlos e Mª Eduarda. É o + simpático e o + valorizado p/Eça.

 

 

João da Ega: Autêntica projecção de Eça de Queirós pela ideologia literária, usando também um “vidro entalado no olho direito” e “com a sua figura esgrouviada e seca”, era considerado “como o maior ateu e demagogo”. Mefistófeles de Celorico, excêntrico, cínico, o denunciador de vícios, o demolidor energético da política e da sociedade, o homem k possui “faísca, rasgo, estilo e coração”, é, no fundo, “um romântico e um sentimental”. Tornou-se amigo inseparável e confidente de Carlos. Instalou-se no Ramalhete, e a sua grande paixão será Raquel Cohen. Como Carlos, tem grandes projectos (a revista, o livro, a peça) que nunca chega a realizar. É também um falhado, influenciado pela sociedade lisboeta decadente e corrupta. É uma personagem plana, caricatural, (símbolo do realismo/naturalismo) embora nos últimos 4 Cap. ganhe uma certa densidade psicológica e passa a desempenhar 1 papel fulcral na intriga, sendo ele o primeiro a conhecer a verdadeira identidade de Mª Eduarda. É Ega que faz a revelação trágica a Vilaça, Carlos (que contará ao avô Afonso) e, por fim, a Mª Eduarda. A sua vida psicológica manifesta-se também ao nível da reflexão interiorizada através de monólogos interiores, sobretudo depois do encontro com o Sr. Guimarães, no capítulo XVI.

 

Pedro da Maia: Física/: pequeno, de rosto oval, olhos dos maias, murcho, amarelo, tem corpo frágil capaz de reflectir a fragilidade da alma, extrema/ sensível. Protótipo: do herói romântico e é personagem-tipo. Psicologica/: temperamento nervoso, crises de melancolia, sentimentos exagerados, intavel emocionalmente (cmo a mãe). Educação: tradicional – portuguesa – romântica – memorização, catecismo, versos românticos, criado pelas craidas e mãe, estudava línguas mortas, sem ginástica nem regras, com chantagens emocionais. Sente um amor quase doentio pela mãe, pelo que quando esta morre mergulha num estado próximo da loucura, mas, quando reage adopta uma vida devassa e vulgar, a qual abandona pouco depois, regressando à sua vida soturna e a ler livros religiosos. Deixou-se encadear por um amor à primeira vista que o conduziu a um casamento, de estilo romântico, com Mª Monforte. Este enlace precipitado levá-lo-ia mais tarde ao suicídio – após a fuga da mulher – por carecer de sólidos princípios morais e de força de vontade que o deveriam levar à aceitação da realidade e à superação daquele contratempo.

 

Mª Monforte: Física/: alta, cabelos louros, testa curta e clássica, olhos azuis e carnação de mármore, comparável às deusas. Psicológica/: personalidade fútil mas fria, caprichosa, cruel e interesseira. Protótipo: da cortesã: leviana e amora, sem preocupações culturais ou sociais. É filha do Monforte, e é conhecida em Lisboa por “a negreira”, porque seu pai enriqueceu transportando negros e arrancando a riqueza da “pele do africano”. Contra a vontade de Afonso, Pedro da Maia apaixona-se e casa com ela. Nasceram Carlos e Mª Eduarda. Mª Monforte virá a fugir com o italiano Tancredo, levando Mª Eduarda consigo e abandonando Carlos e provocando o suicídio de Pedro. Entretanto, o italiano é morto num duelo e Mª levará uma vida dissoluta. Entregará a Guimarães um cofre com documentos p/ a identificação da filha.

 

Alencar: “Personagem-tipo”, é o símbolo do romantismo. Representa a incapacidade de adaptação à “ideia nova” (realismo), tornando-se “paladino da Moral e gendarme dos Bons Costumes”.

 

Dâmaso Salcede: representa a podridão das sociedades, é o “rafeiro” de Carlos, anda sempre atrás dele e imita-o em tudo. Costuma ser considerado o representante do novo riquismo e a súmula dos vícios e futilidades da Lisboa dos fins do sec.XIX.

 

Conde de Gouvarinho: é ministro, e representa o poder político incompetente.

Condessa de Gouvarinho e Raquel Cohen: mulheres adulteras, sem princípios morais.

Sousa Neto: Oficial superior do ministério da instrução publica, representa a mediocridade intelectual, dá o espelho da administração portuguesa.

Palma cavalão: Director do jornal A corneta do diabo, representa o jornalismo corrupto, sensacionalista e escandaloso que vive da calúnia e do suborno.

Craft: inglese, representa a formação e mentalidade britânicas, sendo Craft o jovem mais parecido com Carlos

Jacob Cohen: judeu banqueiro, representante da alta finança, poder económico.

Steinbroken: bom barítono, ministro da Finlândia, “insuportavelmente maçador e inoperante” pk representa uma diplomacia inútil nuns pais como Portugal.

Eusebiozinho: representa a educação tradicionalmente portuguesa, romântica, uma educação sem valores morais.

Guimarães: personificação do destino.

Cruges: é dos poucos que é moralmente correcto, representa a excepção na mediocridade da sociedade portuguesa, é idealista. Vilaça: procurador dos Maias, acredita no progresso.

Taveira: “empregado público”, funcionário do Tribunal de Contas, representa a mediocridade.

Rufino: deputado, orador balofo, fala muito mas não diz nada.

Neves: director d’”A Tarde”, deputado e político, símbolo do jornalismo político e parcial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espaço:

Espaço físico: São variados os espaços geográficos e, estão relacionados com o percurso da personagem principal. Assim os espaços privilegiados são Sta Olávia (infância e educação de Carlos), Coimbra (seus estudos, e primeiras aventuras amorosas) e Lisboa, onde irá desenrolar-se toda a acção após a sua formatura e regresso da sua “longa viagem pela Europa”. Sintra e Olivais são espaços tambem muito referidos, mas onde não se passa qualquer acção de relevo no romance. Os espaços interiores são descritos exactamente de acordo com as personagens. Os espaços interiores mais destacados são O Ramalhete, o quarto da Toca, a Vila Balzac e o consultório de Carlos.

 

Espaço Social: a burguesia e a alta aristocracia decadentes e corruptas. Cumpre um papel eminentemente crítico. O Jantar no Hotel Central é onde o herói, Carlos, contacta pela primeira x com o meio social lisboeta, e em que é dada uma visão fortemente critica das limitações da mentalidade da sociedade portuguesa. As corridas de cavalos onde há a denuncia da mentalidade provinciana. O jantar em casa dos Gouvarinho em k se critica a mediocridade mental e a superficialidade das classes dirigentes. O episódio do jornal A Tarde em k se desmascara o parcialismo, o clientelismo partidário, a venalidade e a incompetência dos jornalistas da época. Sarau literário do teatro da Trindade, em que se criticam a superficialidade e a ignorância da classe dirigente. O Passeio final de Carlos e Ega em Lisboa, traduz o sentido de degradação progressiva e irremediável da sociedade portuguesa, para a qual não é visualizada qualquer saída airosa.

 

Espaço psicológico: representa as emoções, afectividades e intimo das personagens, revela e desencadeia estados de espírito, intimamente relacionados com a subjectividade. É uma forma de penetrar “nas zonas de vivência intima (sonhos, emoções, reflexões) de determinadas personagens” que desempenham papeis mais relevantes na acção, como Carlos (reflexões sobre o parentesco que o liga a Mª Eduarda, visão do ramalhete e do avo após o incesto e a contemplação de Carlos a Afonso, já morto, Cap. XVII) e Ega (reflexões e inquietação após a descoberta da identidade de Mª Eduarda, Cap. XVI).

 

Aspectos relevantes da prosa queirosiana: Discurso indirecto livre: evita o abuso excessivo dos verbos introdutores do diálogo, contribui para o tom oralizante, e confunde o leitor, propositadamente, para tornar as críticas feitas pelas personagens mais convincentes e persuasivas; criticas essas que são bem mais do que isso: são comentários do próprio Eça; Ironia; Hipálages, metáforas, onomatopeias, sinestesias, gradações, personificações, repetições, comparações; Adjectivação; Diminutivo; Neologismos, estrangeirismos; Nome (“um cansaço, uma inércia...” – nome abstracto, com vários significados); Verbo (“ele rosnou...”) – preferência pela fórmula gerúndio+conjugação perifrástica para dar uma ideia de continuidade e muitas vezes, de arrastamento, no sentido de aborrecido; Advérbio de modo

 

Simbolismo:

A Toca é o nome dado à habitação de certos animais, apontando desde logo para o carácter animalesco do relacionamento amoroso entre Carlos e Mª  Eduarda, em k o prazer se sobrepõe á racionalidade e aos valores morais. Os aposentos de Mª  Eduarda simbolizam a tragédia da relação, a profanação das leis cristas e humanas, a sensualidade pagã e excessiva onde não existem atitudes de respeito pelos outros.

O Ramalhete está simbolicamente ligado à decadência moral do Portugal da Regeneração. O percurso da família Os Maias, está relacionado com as modificações existentes no Ramalhete. Quando Afonso vive em Sta Olávia, após a morte de Pedro, está desabitado. Quando Afonso e Carlos se mudam para O ramalhete, este ganha vida, sendo agora símbolo de esperança e de vida. É no jardim da mansão que se encontram dois grandes símbolos que ao longo da obra se transformam: a cascata, quando deita água simboliza a vida, e quando está seca representa morte; a estátua da Vénus Citereia, simboliza quando luzidia, a vida, e quando com ferrugem, a morte. Dentro do Ramalhete também tem muita carga simbólica, como os panos brancos em cima dos móveis do escritório de Afonso, fazendo lembrar as mortalhas em k se embrulham os mortos. Todo o historial do Ramalhete está carregado de símbolos trágicos (por exemplo, o enforcamento, após loucura, de um cunhado de Afonso) tendo Vilaça logo avisado que “eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete”(Cap. I.), confirmando esse aviso no Cap. XVII, quando já consumada a catástrofe, “Há três anos…O Sr. Afonso da Maia riu-se de agouros e lendas…pois fatais foram!”

Um prolixo cromático povoa Os Maias, cumprindo não só os postulados do impressionismo, mas também os do simbolismo. O vermelho tem na obra um carácter duplo: ora feminina e nocturna, centrípeto, ora masculina e de poder centrífugo. Mª Monforte e Mª  Eduarda são portadoras de um vermelho feminino, fogo que desencadeia a libido e a sensibilidade, espalham a morte provocando o suicídio de Pedro, a morte física de Afonso e a morte psicológica de Carlos. O amarelo/dourado indica o carácter ardente da paixão, tendo um significado duplo: cor do ouro de essência divina; cor da terra simbolizando o Verão e o Outono, anunciando a velhice, o Outono e a proximidade da morte. Mª Monforte e Mª Eduarda conjugam o vermelho (leque negro [negro conotado com morte e luto] “pintado com flores vermelhas, sombrinha escarlate”) com o negro (“olhos negros”) e, com o amarelo/dourado (“cabelos de ouro”), pelo que, tanto simbolizam a vida como a morte, o divino e o humano, a aparência e a realidade, a força que se torna fraqueza. O presságio do sangue pode ser visto à luz dos netos de Afonso que, sendo do mesmo sangue, se vão envolver numa relação incestuosa, manchando a honra familiar dos Maias.

Afonso simboliza os valores morais e o liberalismo. Sendo assim, com a morte de Afonso da Maia, todos os princípios morais, que ainda existiam em Portugal, acabam. A morte instala-se no país.

 

A feição trágica de os Maias: O tema do incesto | A presença do destino/fatalismo | Os presságios | A estrutura da fábula trágica dividida em 3 momentos. A peripécia, súbita mutação dos sucessos, verifica-se quando Guimarães vê Mª Eduarda e revela, a identidade desta, a Ega, e quando Mª Eduarda descobre o terrível segredo. O reconhecimento, é progressivo, desenrola-se em 2 capítulos e entre as revelações passam-se dias. Ega ao saber do parentesco dos netos de Afonso fica desorientado e vai falar com Vilaça, que acaba por revelar a Carlos, e este a Afonso. A catástrofe dá-se com a morte de Afonso, vítima inocente, e com a separação definitiva dos amantes. Destino: O destino, enquanto força de destruição, é personificado por Guimarães que irá desencadear a anagnórise (reconhecimento) e consequente tragédia. Praticamente desde o inicio da obra, subtil mas frequentemente, se vêm fazendo referências ao destino (Cap. I – o nome Carlos Eduardo; Cap. XI – semelhança de nomes; uso, mt frequente, de palavras da família de fado/destino: catalise, fatalmente, fatais).

 

Intriga>>> Eça serve-se da história de uma família para narrar as desventuras de uma sociedade. Assim, o romance acompanha dois níveis de acções distintos, um decorrente do título “Os Maias” , tem por personagem central Carlos e se subdivide numa intriga principal e numa intriga secundária, outro decorrente do subtítulo “Episódios da vida romântica” foca a descrição de eventos recreativos da sociedade portuguesa da Regeneração, constituindo a crónica da costumes. || O nível de acção decorrente do título dá-nos a conhecer a história da família Maia ao longo das gerações de Caetano, Afonso, Pedro e Carlos da Maia. A intriga principal é constituída pelo romance entre Carlos e Maria Eduarda; a intriga secundária dos amores de Pedro e Maria Monforte é necessária para construir a intriga central. A acção das intrigas é fechada porque não há possibilidade de continuação: Pedro suicida-se, Maria Monforte já morreu, Maria Eduarda e Carlos suicidam-se psicologicamente perdendo a capacidade de amar, e Afonso morre. A temática do incesto desencadeia toda a intriga. || A crónica de costumes engloba os ambiente sociais, os figurantes e seus comportamentos, bem como as relações do protagonista Carlos, quer com o ambiente, quer com as personagens, pelo que os episódios são acções ainda que com duração limitada, é uma acção aberta porque cada episódio pode continuar. É fundamentalmente ao nível da intriga principal que surge a crónica de costumes, pelo que ambas se desenvolvem em paralelo.

 

O Jantar no Hotel Central proporcionou a Carlos a primeira visão de Mª Eduarda e o contacto com a sociedade de elite. Este jantar é a radiografia de Lisboa no que respeita à literatura, à finança e à política. A mentalidade retrógrada de Alencar e o calculismo e cinismo com que Cohen comenta a deterioração financeira são elementos marcantes da crise de uma geração e do próprio País. Através desta reunião da sociedade, Eça retrata uma cidade num esforço para ser civilizada, mas que não resiste e acaba por mostrar a sua impressão, a sua falta de civilização. As limitações ideológicas e culturais acabam por estalar o verniz das aparências quando Ega e Alencar depois de usarem todos os argumentos possíveis partem para ataques pessoais que culminam numa cena de pancadaria, mostrando o tipo de educação desta “alta” sociedade lisboeta que tanto se esforça por ser (ou parecer) digna e requintada, mas que no fundo é grosseira.

As corridas de cavalos são uma sátira ao esforço de cosmopolitismo que se espelha no desejo de imitar o que se faz no estrangeiro e era considerado sinal de progresso, e ao provincianismo do acontecimento. Apreciamos de forma irónica e caricatural uma sociedade burguesa que vive de aparências, com destaque para a assistência feminina. O traje escolhido pela maioria da assistência não se adequava à ocasião, daí alguns cavalheiros se sentirem embaraçados com o seu chique, e muitas senhoras trazerem “vestidos sérios de missa”, acompanhados por grandes chapéus emplumados da última moda, mas que não se adequavam nem ao evento, nem à restante toilette. Critica-se ainda a falta de à-vontade das senhoras da tribuna que não falavam umas com as outras e que para não desobedecerem às regras de etiqueta permaneciam no seu posto, mas constrangidas. Os homens surgem desmotivados “numa pasmaceira tristonha”. A assistência não revela qualquer entusiasmo pelo acontecimento e comparecem somente por desejar aparecer no “High Life” dos jornais e/ou para mostrar a extravagância do vestuário. Fisicamente o espaço é degradado: o recinto parece uma quintarola, as bancadas são improvisadas, besuntadas de tinta com palanques de arraial. O bufete fica debaixo da tribuna “sem sobrado, sem um ornato”, onde os empregados sujos achatavam sanduíches com as mãos húmidas de cerveja. A própria tribuna real está enfeitada com um pano reles de mesa de repartição.

O jantar em casa do Conde Gouvarinho permite através da falas das personagens, observar a degradação dos valores sociais, o atraso intelectual do país, a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia, dando especial atenção ao Conde de Gouvarinho e sobretudo a Sousa Neto. As personagens emitem duas diferentes concepções sobre a educação da mulher. Sousa Neto, o representante da administração pública, demonstra-se superficial nas suas intervenções. Sousa Neto, serve a Eça para mostrar como se encontra a cultura dos altos funcionários do Estado. Ega percebe que Sousa Neto nada sabe sobre o socialismo utópico de Proudhon e que nem é capaz de manter um diálogo consequente, rematando com a brilhante frase “Proudhon era um autor de muita nomeada”, mas “não sabia que esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos” como o amor. Posteriormente perguntará a Carlos se em Inglaterra há literatura, revelando-se ainda mais ignorante. Sousa Neto manifesta ainda a sua curiosidade em relação aos países estrangeiros, interrogando Carlos, mostrando o seu aprisionamento cultural confinado às terras portuguesas. No aspecto exterior lembra o episódio do Hotel Central, persistem as ementas francesas, a mesa enfeitada de flores, o luxo e o aparato.

Os episódios dos jornais critica a decadência do jornalismo português que se deixa corromper, motivado por interesses económicos (A Corneta do Diabo) ou evidenciam uma parcialidade comprometedora de feições políticas. No jornal A Corneta do Diabo havia sido publicada uma carta escrita por Dâmaso que insultava Carlos e expunha, em termos degradantes, a sua relação com Maria Eduarda; Palma Cavalão revela o nome do autor da carta e mostra aos dois amigos o original, escrito pela letra de Dâmaso, a troco de “cem mil réis”. A parcialidade do jornalismo da época surge quando Neves, director do jornal A Tarde, aceita publicar a carta na qual Dâmaso se retracta, depois da sua recusa inicial por confundir Dâmaso Salcede com o seu amigo político Dâmaso Guedes. A mesma parcialidade surge na redacção de uma notícia sobre o livro do poeta Craveiro, por pertencer “cá ao partido” e mais ainda quando Gonçalo, um dos redactores insulta o Conde de Gouvarinho, mas logo depois diz que “É necessário, homem! Razões de disciplina e de solidariedade partidária.

A superficialidade das conversas, a insensibilidade artística, a ignorância dos dirigentes, a oratória oca dos políticos e os excessos do Ultra-Romantismo constituem os objectivos críticos do episódio do sarau literário do Teatro da Trindade. Ressalta a falta de sensibilidade perante a arte musical de Cruges, que tocou Beethoven e representa aqueles poucos que se distinguiam em Portugal pelo verdadeiro amor à arte e que, tocando a Sonata Patética, surgiu como alvo de risos mal disfarçados, depois de a marquesa de Soutal dizer que se tratava da “Sonata Pateta”, tornando-o o “fiasco” da noite. Nota-se que o público alto-burguês e aristocrata que assistia ao sarau é pouco culto, exaltando a oratória de Rufino, um bacharel transmontano, que faz um discurso banal cheio de imagens do domínio comum para agradecer uma obra de caridade de uma princesa, recorrendo ainda a artificiosismos barrocos e ultra-românticos de pouca originalidade, mas no final as ovações são calorosas demonstrando a falta de sensibilidade do povo português.

 


sinto-me =S:


Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
o meu resumo...

Capitulo I e II

 

* Venda das propriedades

*Remodelação do Ramalhete por Carlos Eduardo, que contracta um artista Inglês, Jones Bule (1875)

*Carlos acaba o seu curso de medicina em Coimbra e faz uma viagem pela Europa (1875)

* Em 1875, no Outono, Afonso deixa Sta. Olávia e instala-se no Ramalhete

 

 

Afonso Da Maia ( caracterização)

 

-Baixo

-Maciço

- Ombros quadrados

- Face larga

-Nariz aquilino

-Pele corada ( quase vermelha)

- Cabelo branco cortado á escovinha

- Barba de neve aguda e longa

- Lembrava um varão esforçado das idades heróicas, um D. Duarte de Meneses ou D. Afonso de Albuquerque

- Sereno e risonho

 

História de Afonso da Maia:

 

    Filho de Caetano da Maia ( um absolutista profundo, apoiante de D. Miguel), foi desterrado em jovem para Sta Olávia, por se ter envolvido numa revolução liberal.

    Depois de uns tempos na Quinta, volta completamente modificado e decide ir viver para Inglaterra, mas com a morte do pai, regressa. É por esta altura que conhece Maria Eduarda Runa, uma mulher muito débil, por quem se apaixona e casa, e depois, têm Pedro.

     Com o absolutismo em Portugal, Afonso vê a sua casa de Benfica ser invadida pela polícia, e parte para o exílio em Inglaterra, com a mulher e o filho. Pedro é criado de uma forma muito romântica por vontade da mulher de Afonso, e devido à sua saúde muito fraca, Afonso decide não se impor às vontades da sua senhora, e assim contratam um padre português (porque Maria odiava Inglaterra), o padre Vasques, para educar o menino. O estado de saúde de Maria agrava-se e eles mudam-se para Itália, depois novamente para Portugal, para a Casa de Benfica, mas Maria Runa acaba por falecer.

 

História de Pedro da Maia:

 

   Típico menino da mamã, cresceu de roda das suas saias e das empregadas, tornando-se um homem pequeno e nervoso, como a mãe, ainda que bonito, como o pai. Nunca fora para a universidade, porque a mãe não o deixara e tivera uma educação completamente romântica. Passava os dias na farra, sem fazer nada e aos 19 anos, teve um bastardo.

   Com a  morte da mãe, Pedro ficou de rastos, infelicíssimo, mas depois, conhece Maria Monforte ( filha de Manuel Monforte, que vivia às ordens da filha, e que tinha um passado obscuro; um negreiro), por quem se apaixona.

 

Maria Monforte ( caracterização)

 

- Loura

-olhos azuis

-bonita moça

-filha de um assassino, um negreiro

 

   Apaixonado, Pedro decide casar com Maria, ainda quem Afonso o tenha proibido. Sai de casa, casa com Maria, e corta relações com o pai, que se zangou com ele por tal casamento. Depois, Pedro e Maria viajam, por Itália, depois Paris e acabam por voltar para Lisboa, quando descobrem que Maria estava grávida.

   Nasce a primeira filha do casal, Maria Eduarda, que Maria Monforte adora. Maria começa a ter hábitos estranhos, como fumar com os homens á noite e conviver com eles em soirés, hábitos estes que Pedro odiava e condenava, sentindo ciúmes. Apesar de casada, o pai de Maria anda sempre com ela. Afonso refugia-se em Sta Olávia para evitar a família, convivendo alegremente com os amigos. Mais tarde, depois de Maria Eduarda fazer um ano, Maria Monforte tem outro filho, desta vez um menino, a quem dá o nome de Carlos Eduardo, devido a um romance que andava a ler.

   Certa tarde, numa caçada, Pedro fere acidentalmente a tiro um napolitano refugiado e condenado á morte, Tancredo, que era sobrinhos dos príncipes de Sória, e leva-o para sua casa. Maria Monforte dá-se muito bem com ele, bem demais. O pai de Maria parte numa viagem aos Pirenéus.

   Um dia, quando Pedro regressa a casa, descobre que Maria fugiu com Tancredo, levando consigo a sua filha, Maria Eduarda, e deixando para trás Carlos. De rastos, Pedro vai ter com o pai e conta-lhe tudo, e os dois acabam por fazer as pazes. Afonso fica felicíssimo por conhece o neto, mas infeliz com o estado do filho. Sem aguentar, Pedro acaba por se suicidar, deixando Carlos Eduardo a cargo do avô.

 

 

   Afonso da Maia muda-se para Sta. Olávia para criar Carlos, e vende a Tojeira, casa de Pedro. Afonso cria Carlos, mas desta vez como sempre quis criar Pedro e a sua mulher nunca o deixara:  uma educação à Inglesa, muito rígida, principalmente fisicamente. Vilaça,   amigo de Afonso e procurador da família visita-os regularmente. Anos depois, morre, sendo substituído pelo seu filho Manuel Vilaça júnior.

 

 

Capítulo III

 

 

- Carlos é criado á medida do avô, crescendo forte e são, sendo educado por Brow, um tutor vindo directamente da Inglaterra para o efeito.

 

- Vilaça descobre, ao fim de una anos de procura, o paradeiro de Maria Monforte (e de Maria Eduarda) , agora Maria L'Estorade, que viveu 3 anos em Viena com Tancredo e com o pai, e depois mudaram-se para o Mónaco. Tancredo morreu num duelo, e meses depois o seu pai também, deixando-a sem nada. Maria muda-se para Paris, onde se junta com Mr. L'Estorade, mas este acaba por deixá-la. Muda-se depois para Londres, onde Vilaça descobre que a filha de Maria Monforte, morre. Depois, Maria foge para a Alemanha com um acrobata de circo.

 

- Convencido de que a sua neta morrera, Afonso decide esquecer a existência de Maria Monforte.

 

 


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publicado por miss.bree às 11:06
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008
Livro "Os Maias"
E para quem nao tem o livro, n teve tempo ou possibilidade para o comprar, CLICA AQUI para abrires o livro em PDF e depois, guarda-o no teu pc, e assim ja' nao tens desculpa para nao teres lido o livro!

Miss Bree


publicado por miss.bree às 21:22
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Sábado, 29 de Março de 2008
Os Maias I

Os Maias

   A história  começa com a descriçao d'“O Ramalhete”  em Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis, colocado onde deveria estar as armas da família.

     Afonso da Maia casou-se com Maria Eduarda Runa e deste casamento resultou apenas um filho - Pedro da Maia. Pedro teve uma educação tipicamente romântica, e era muito ligado à mãe. Após a sua morte ficou inconsolável, recuperando apenas quando conheceu Maria Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento resultaram dois filhos: Maria Eduarda e Carlos Eduardo. Algum tempo depois, Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (o sobrinho dos príncipes, fugido de Nápoles que Pedro fere acidentalmente numa caçada e acolhe em sua casa enquanto recupera) e foge com ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda, a sua filha preferida. Quando sabe disto, Pedro, destroçado, leva Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio. Carlos fica na casa do avô, onde é educado à inglesa (tal como Afonso gostaria que Pedro tivesse sido criado) e cresce forte e saudável.

    Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico em Coimbra. Depois, muda-se para Lisboa, para o Ramalhete com o avô e abre um consultório e um laboratório, começando também a escrever um livro. O seu melhor amigo, João da Ega, que conheceu em Coimbra, muda-se também para Lisboa, para a Vila Balzac. Ega envolve-se com Raquel Cohen, uma mulher casada e faz tudo por ela. Carlos conhece Dâmaso Salcede, um homem que ele detestava mas que se mostra depois muito útil, e seu amigo. Envolve-se com a condessa de Gouvarinho. O marido de Raquel descobre o que Ega anda a fazer com a sua mulher e insulta-o. Ega exila-se em Celorico, na casa da mãe. Mais tarde vê uma mulher no Hotel Central, a Sra. Castro Gomes, casada e com uma filha, por quem se apaixona e passa a segui-la para a ver todos os dias e descobrir quem ela é. Descobre que Dâmaso é amigo da família, e que está interessado na Sra., e fica cheio de ciúmes. Um dia é chamado como médico para ver a filha da Sra. Castro Gomes e descobre que a menina se chama Rosa e a mãe Maria Eduarda. Com a doença da governanta, que gostou muito do médico, Carlos passa a ir todos os dias a casa de Maria Eduarda. Dâmaso partira para um funeral e o Sr. Castro Gomes me negócios para o Brasil e Maria Eduarda sozinha, aproxima-se de Carlos. Os dois apaixonam-se e os dois namoram em segredo. Carlos Compra a quinta dos olivais para Maria Eduarda e chamam-lhe a Toca, e é lá que se envolvem e namoram às escondidas de todos, e planeiam fugir e casar. Carlos acaba depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado, pois Castro Gomes regressa e tendo recebido uma carta anónima a dizer que a mulher o traia com o Carlos da Maia (carta de Dâmaso), vem-lhe pedir contas, acabando por contar que Maria não é sua mulher nem Rosa é sua filha, que apenas paga a Maria para viver consigo. Carlos zanga-se com Maria Eduarda mas acabam por fazer as pazes e Carlos pede-a em casamento.

   Carlos mantem a historia em segredo não contando nada ao avô para não o magoar. O avô parte de férias para Santa Olávia. Dâmaso tenta humilhar Carlos, mas o plano sai-lhe furado e é ele que acaba humilhado. Dá-se um sarau na Trindade e Mr. De Guimarães, tio de Dâmaso que vive em Paris vem a Portugal tratar de uns assuntos e nesse sarau, fala com João de Ega, e dá-lhe uma caixa que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda, que Maria Monforte lhe entregara antes de morrer, e assim Ega percebe que Carlos é irmão de Maria Eduarda e passa-se. Vai falar com Vilaça, o procurador da família Maia e contam a Carlos toda a verdade sobre Maria Eduarda e entregam-lhe os papéis. Carlos fica chocado, e conta tudo a Afonso, excepto a parte de se ter envolvido com Maria. Apesar de saber tudo, Carlos continua a encontrar-se com Maria e a dormir com ele. Afonso da Maia sabe de tudo e acaba por morrer de desgosto.

   Desolado e sentindo-se culpado, Carlos parte para Santa Olávia e manda Ega falar com Maria Eduarda que lhe conta tudo e lhe pede para se ir embora para Paris, e chocada com tudo, Maria parte para sempre. Carlos decide viajar pelo mundo, levando consigo Ega, e vão a Londres, Nova York, Japão, China, regressando um ano depois. Carlos muda-se para Paris, para um apartamento, deixando Portugal. Passados dez anos Carlos regressa e sabe-se o final dos seus amigos, assim como o de Maria, que recusara a herança e ia agora casar. O romance acabava para sempre. Os amigos concluem que não vale a pena viver.


 





Os Maias II

Resumo, capítulo a capítulo

o      Capítulo I

   A história de “Os Maias” começa no Outono de 1875 quando Afonso da Maia se instala numa das casas da família, o Ramalhete. Durante vários anos esteve desabitada e servia apenas para guardar as mobílias do palacete de Benfica, que fora vendido. Carlos, o seu neto de Afonso é a única família que lhe restava, tinha acabado o curso de Medicina em Coimbra nesse ano e queria abrir um consultório em Lisboa, razão pela qual Afonso decidiu deixar Santa Olávia, a sua quinta no norte do país, e acompanhar o neto para Lisboa. Afonso da Maia, agora velho e calmo, fora um jovem apoiante do Liberalismo, ao contrário do seu pai, um Absolutista. Por esta razão, Afonso foi expulso de casa, mas, por influência de sua mãe, foi-lhe oferecida a Quinta de Santa Olávia. Alguns anos depois, Afonso partiu para Inglaterra, onde esteve algum tempo, mas de onde teve que voltar devido à morte do seu pai. Foi então que conheceu a mulher com quem viria a casar, D. Maria Eduarda Runa, de quem teve um filho e com quem partiria para o exílio, de volta a Inglaterra. Porém, D. Maria Eduarda, mulher de fraca saúde e católica devota, não se habituou à falta do sol quente que tinha em Lisboa nem ao Protestantismo. Assim, ordenou a um bispo português que viesse educar o seu filho, Pedro, já que não consentia que o seu filho fosse educado por um inglês, muito menos num colégio protestante. Por isso, apesar de Afonso se tentar impor, Pedro cresceu frágil, medroso e excessivamente mimado pela mãe. Algum tempo depois, a doença de D. Maria Eduarda agravou-se e a família voltou para Lisboa, onde ela acabou por morrer, causando um enorme desgosto no seu filho Pedro. Um dia, Pedro, recuperado do luto, apaixonou-se por Maria Monforte, uma mulher muito bela e elegante, filha de um negreiro. Por causa disto, Afonso da Maia opôs-se fortemente à relação do seu filho com Maria Monforte, mas, apesar disso, eles casaram-se às escondidas e partiram para Itália, deixando Afonso sozinho e desgostoso com a atitude do seu filho, cujo nome não foi pronunciado durante muitos anos naquela casa.

o      Capítulo II

   Pedro e Maria casam às escondidas, sem o consentimento de Afonso da Maia e partem para Itália. Porém, a mulher suspirava por Paris, para onde se mudaram pouco tempo depois, até Maria aparecer grávida. Nessa altura resolveram voltar para Lisboa, mas não sem antes escreverem a Afonso, pai de Pedro, anunciando a sua partida e o nascimento do seu primeiro neto, na esperança de que ele os perdoasse e os recebesse como família. Contudo, quando chegaram a Lisboa, ficaram a saber que Afonso tinha voltado para Santa Olávia, a sua quinta no norte do país, no dia anterior.

   Assim, o tempo passou e Maria Eduarda, filha do casal, nasceu. Pedro não informou o seu pai do nascimento da filha, por estar ainda magoado com a atitude dele, mas, quando o seu segundo filho nasce, põe a hipótese de se conciliar com o pai e resolve ir a Santa Olávia apresentar-lhe os netos. Contudo, esta visita foi adiada porque Pedro, numa caçada com os amigos, feriu acidentalmente italiano, Tancredo, que tinha sido condenado à morte e andava fugido. Por isso, Tancredo ficou a restabelecer-se durante muito tempo em casa de Pedro e Maria – tempo suficiente para Maria o conhecer, e se apaixonarem sem ninguém ter conhecimento, até ao dia em que Pedro descobre que ambos fugiram, levando com eles a sua filha, Maria Eduarda.

   Pedro decide então procurar consolo junto do pai, que o acolheu, assim como ao seu filho, Carlos, na casa de Benfica, para onde se tinha mudado entretanto. Porém, nesse mesmo dia, Pedro suicida-se ao saber que a mulher o tinha deixado para ir viver com o napolitano e Afonso decide fechar a casa de Benfica, vende-la e muda-se com o seu neto, Carlos, para a quinta de Santa Olávia.

o      Capítulo III

   A infância de Carlos é passada em  Santa Olávia, e é descrito um episódio onde se dá uma visita de Vilaça , o procurador dos Maias, á quinta. Descreve-se a educação liberal de Carlos, com um professor Inglês que dá primazia ao exercício físico e as regras duras que Afonso impõe ao neto. Também ficamos a conhecer os Silveiras: Teresinha, a primeira namorada de Carlos, a sua mãe e sua tia, e o seu irmão Eusebiozinho, o oposto de Carlos, muito frágil, tímido, medroso e estudioso. É sobretudo um capítulo de contraste entre as educações tradicional (Eusebiozinho) e à inglesa (Carlos). Vilaça dá notícias de Maria Monforte e de sua filha a Afonso, e segundo ele a sua neta morrera em Londres. Vilaça morre, o seu filho substitui-o como procurador da família. Alguns anos depois Carlos faz exame triunfal de candidatura à universidade.

o      Capítulo IV

  Carlos descobre a sua vocação para Medicina e matriculou-se com alegria na Universidade de Coimbra. Para que os seus estudos sejam mais sossegados, Afonso ofereceu ao neto uma casa em Celas, onde este, pelo contrário, exerce um tipo de vida quase boémio, sempre rodeado de amigos com ideias filosóficas e liberais. É sobretudo chegado a João da Ega, que estudava direito e era sobrinho de André da Ega, amigo de infância de Afonso. Pela altura da formatura de Carlos, deu-se uma grande festa na sua casa de Celas, depois da qual este partiu para uma viagem de um ano pela Europa. Ao fim desse tempo, Afonso esperava-o no Ramalhete, onde se iriam instalar (fim da grande analepse). Carlos tencionava montar um consultório e um laboratório em Lisboa, vontades que depressa satisfez com a ajuda do avô: o laboratório foi montado num velho armazém, e o consultório num primeiro andar em pleno Rossio. Carlos recebeu com alegria a visita do seu amigo Ega, que lhe anunciou que ia publicar o livro que andava a escrever havia já alguns anos – “Memórias de um Átomo” – que todos os que tinham ouvido falar esperavam com impaciência. Esse livro falava da história de vida de um átomo, que viveu desde o inicio da Terra até aos tempos de hoje.

o      Capítulo V

   Este capítulo inicia-se com uma festa no escritório de Afonso, no Ramalhete, que contava com a presença de D. Diogo, do general Sequeira, do Cruges, do Eusébio Silveira e do Conde Steinbroken. Todos sentiam a falta de Ega, pois ninguém o via há já vários dias. Entretanto, o negócio na clínica de Carlos já começara a ter alguma popularidade, devido ao seu sucesso com o caso da Marcelina ( a mulher do padeiro que tivera ás portas da morte). Mais tarde, Carlos finalmente encontra Ega e é desvendado o mistério do seu desaparecimento: estava apaixonado por Raquel Cohen, que era, infelizmente, casada. Durante uma conversa entre Carlos e Ega, Ega propõe a Carlos conhecer a família Gouvarinho. Carlos aceita. Após a um encontro com estes amigos de Ega, Carlos não parava de pensar na Condessa Gouvarinho. Estava apaixonado. Este capítulo acaba com uma ida de Carlos com a família Gouvarinho à ópera, e durante esta ocasião, a condessa mostra-se interessada em Carlos.

o      Capítulo VI

    Carlos pretende fazer uma visita surpresa a Ega, na Vila Balzac, casa que este comprara, mas tem muitas dificuldades em encontrar a sua casa. E quando finalmente chega ao local, não estava ninguém em casa para o receber. Depois ao encontrar Ega, dias mais tarde, este mostra-se indignado com o sucedido e combinam uma visita na sua casa. Carlos foi muito bem recebido, com o pajem à porta, muito champanhe e Ega mostra-lhe a sua casa. Muito exuberante e decorado tal e qual o temperamento do proprietário. Ega convida-se para jantar com Carlos e quando se prepara para sair, falam sobre a Gouvarinho e sobre o súbito desinteresse de Carlos pela senhora, após uma grande atracção. Esta atitude de Carlos para com as mulheres, era frequente e os dois conversam sobre o assunto. Na ida para o jantar, cruzam-se com Craft, amigo de Ega. Ega apresenta Carlos ao amigo. Combinam jantar no dia seguinte no Hotel Central. Ega faz questão que os dois amigos se conheçam melhor. Após alguns contratempos, Ega consegue marcar o jantar no Hotel Central com Carlos, Craft, Alencar, Dâmaso e Cohen (banqueiro e marido da sua amante), a quem Ega fez questão de homenagear, com um dos pratos: “Petits pois à la Cohen”. Discutiram vários temas ao longo do jantar como a literatura e as suas críticas, as finanças, e a história da política em Portugal naquele momento. O jantar acaba e Alencar acompanha Carlos a casa, lamentando-se da vida, do abandono por parte dos amigos e falando-lhe de seu pai, de sua mãe e do passado. Carlos recorda como soubera a história dos seus pais : a mãe fugira com um estrangeiro levando a irmã, que morrera depois, o pai suicidara-se. Carlos, já em casa, antes de adormecer e enquanto aguarda um chá, sonha com a mulher deslumbrante, uma deusa, com quem se cruzou à porta do Hotel Central, enquanto aguardava com Craft os restantes amigos para o jantar.

o      Capítulo  VII

    Depois do almoço, Afonso e Craft jogam uma partida de xadrez. Carlos tem poucos doentes e vai trabalhando no seu livro. Dâmaso à semelhança de Craft, torna-se íntimo da casa dos Maias, seguindo Carlos para todo o lado e procurando imitá-lo. Ega anda ocupado com a organização de um baile de mascaras na casa dos Cohen. Carlos, na companhia de Steinbroken em direcção ao Aterro, vê, pela segunda vez, Maria Eduarda acompanhada do marido. Carlos desloca-se várias vezes, durante a semana, ao Aterro na esperança de ver novamente Maria Eduarda. A condessa Gouvarinho, com a desculpa que a filha se encontrava doente, procura Carlos no consultório. Ao serão no Ramalhete, joga-se dominó, ouve-se música e conversa-se. Carlos convida Cruges a ir a Sintra no dia seguinte, pois tomara conhecimento, por intermédio de Taveira, que Maria Eduarda aí se encontrava na companhia de seu marido e de Dâmaso.

o      Capítulo VIII

    Neste capítulo, Carlos da Maia e o seu  amigo, o maestro Cruges, vão  visitar Sintra.  A ideia é de Carlos que  obriga Cruges a ir com ele. Cruges, que já não visitava Sintra desde os 9 anos, acaba por ficar rendido à ideia e prepara-se para desfrutar do passeio. Esta viagem tem o propósito escondido por Carlos, de procurar um encontro fortuito coma Sra. Castro Gomes, que ele julgava em Sintra. Após algumas horas de viagem de break, chegam a Sintra e logo se vão instalar no Hotel Nunes, por sugestão de Carlos, que temeu que ao instalarem-se no Lawrence’s Hotel, se cruzassem de imediato com os Castro Gomes, perdendo o seu encontro aquele efeito de casualidade que ele lhe procurava empregar. Aí encontram o amigo Eusebiozinho, acompanhado por um amigo, Palma, e duas senhoras espanholas, acompanhantes de ambos. Após um pequeno episódio cómico, em que uma das espanholas se enfureceu, Carlos e Cruges, partem num pequeno passeio pedestre para visitar Seteais. Pelo caminho encontram outro amigo, Alencar, o poeta, vindo justamente de Seteais, mas que fez questão de os acompanhar lá, fazendo aquele caminho pela segunda vez nesse dia. Chegados a Seteais, Cruges, que não conhecia o local, ficou desapontado quando verificou o estado de abandono em que se encontrava a construção. Depressa Alencar o fez pensar doutro modo, ao apontar-lhe os pormenores do local e a beleza da vista. De volta ao casario, passaram pelo Lawrence e foram ver, por breves instantes, o Paço e o seu Palácio, após o que voltaram ao e se sentaram a tomar um cognac. Carlos já informado sobre o destino dos Castro Gomes, que haviam deixado Sintra na véspera, e Carlos decide voltar para Lisboa. Resolveram jantar no Lawrence, para evitarem o amigo Eusebiozinho e sua trupe. No entanto, como tiveram de ir ao Nunes para pagar a conta, lá acabaram por encontrar o amigo de quem depressa se despediram. De volta ao Lawrence, onde Alencar os esperava para o jantar especial de bacalhau, preparado pelo próprio, mercê de especial favor da cozinheira, iniciaram-se no belo repasto, que só acabou já passava das oito. Depois do jantar lá se sentaram no break de volta a Lisboa, dando boleia a Alencar que também estava de partida.

o      Capítulo IX


   Já no Ramalhete, no final da semana, Carlos recebe uma carta a convidá-lo a jantar no Sábado seguinte nos Gouvarinhos; entretanto, chega Ega, preocupado em arranjar uma espada conveniente para o fato que leva nessa noite ao baile dos Cohen. Dâmaso também aparece de repente, pedindo a Carlos para ver um doente "daquela gente brasileira", os Castro Gomes - a menina Rosa. Os pais tinham partido essa manhã para Queluz. Ao chegar ao Hotel, Carlos verifica que a pequena já estava óptima. Carlos dá uma receita a Miss Sara, a governanta.

  Ega vai ao Ramalhete pedir emprestado uma espada para a sua máscara para a festa na Casa dos Cohen em honra dos anos de Raquel. Às 10 horas da noite, ao preparar-se para o baile de máscaras, aparece Ega (mascarado de Mefistófeles), dizendo que o Cohen o expulsara (ao que parece, descobrira o caso de Raquel e Ega), e Ega quer desafiar o Cohen num duelo, mas Carlos e Craft desmotivam-no. No dia seguinte, nada acontece, excepto a vinda da criada de Raquel Cohen, anunciando que ela tinha sido espancada pelo seu marido e que partiam para Inglaterra, deixando Portugal. Ega dorme nessa noite no Ramalhete e decide deixar Lisboa.

  Na semana seguinte, só se ouve falar do Ega e do mau carácter que ele é. "Todos caem-lhe em cima", pois para além disto, só lhe acontecem desgraças. Carlos vai progressivamente ficando íntimo dos condes de Gouvarinho. Visita a Gouvarinho e dá-lhe um tremendo beijo, mesmo antes da chegada do conde Gouvarinho.




Os Maias III

o      Capítulo X

  Passam-se 3 semanas. Carlos sai de um coupé, onde acabara de estar com a Gouvarinho, mas já estava farto dela e dos seus encontros às escondidas, e quer ver-se livre da Gouvarinho. Nessa altura vê Rosa a acenar de um coupé com a sua mãe, que lhe sorri. Combina com o Dâmaso, no Ramalhete, levar os Castro Gomes a ver o bricabraque do Craft, nos Olivais, mas isto não se concretiza a ideia pois o sr. Castro Gomes partira para o Brasil em negócios. Chega o dia das corridas de cavalos e há uma grande confusão à porta do hipódromo. É descrito do ambiente dentro do hipódromo. Depois há uma grande confusão com um dos jóqueis que perdera uma corrida. E anda tudo á briga, num rebuliço total! Lá nas corridas, encontra a Gouvarinho, que lhe propõe irem de comboio ate Santarém, uma vez que ela ia para o Porto (pois o seu pai estava mal), e dormiam no hotel em Santarém ( uma "rapidinha"), e daí cada um seguia para o seu lado. Depois, fazem-se apostas; todos apostam em Minhoto, mas Carlos aposta em Vladimiro, que vence e Carlos ganha 12 libras, facto muito comentado. Encontra Dâmaso, que lhe informa que o Castro Gomes afinal tinha ido para o Brasil e deixara a mulher só por uns 3 meses – Carlos fica todo contente. Discute com a Gouvarinho, mas acaba por aceder ao desejo do encontro em Santarém, mas agora apenas consegue pensar na mulher de Castro Gomes. Ao descobrir que ela vivia no prédio de Cruges, pois alugara a casa á mãe do Cruges, proprietária do prédio, Carlos vai à R. de S. Francisco com o pretexto de visitar o Cruges, mas ele não estava. Volta para o Ramalhete e lá descobre que tinha uma carta da Castro Gomes pedindo-lhe que a visite no dia seguinte, por ter "uma pessoa de família, que se achava incomodada". Carlos fica todo contente.

o      Capítulo XI

   Carlos vai visitar a Sra. Castro Gomes, e descobre o seu nome, Maria Eduarda (descrição de Maria Eduarda - uma deusa). É a governanta, Miss Sara, que estava doente - tinha uma bronquite. Carlos conversa com Maria Eduarda, passa-lhe a receita e diz-lhe cós cuidados que deve ter com Sara, dizendo que terá de observá-la diariamente.

   Nessa noite Carlos iria ter com a Sra Gouvarinho para a fantástica noite em Santarém, mas Carlos começava a repudiá-la, a odiá-la. Por sorte, o Gouvarinho decidiu à última da hora ir com a mulher para o Porto, o que convém muito a Carlos, assim como a morte de um tio de Dâmaso em Penafiel, deixando-lhes os "entraves" fora de Lisboa.

   Nas semanas seguintes, Carlos vai-se familiarizando com Maria Eduarda, graças à doença de Miss Sara. Falam ambos das suas vidas e dos seus conhecidos. Dâmaso volta de Penafiel e vai visitar Maria Eduarda. Ao chegar lá vê Carlos com "Niniche" (a cadela de Maria) ao colo, que lhe rosna e ladra - Dâmaso fica zangado e cheio de ciúmes. Os Cohen regressam de Inglaterra e que Ega está para chegar de Celorico.

o      Capítulo XII

   Ega chega de Celorico e instala-se no Ramalhete. Informa Carlos de que viera com a Gouvarinho, e de que o conde os convidara para jantar na próxima 2ª feira. Depois, nesse jantar, a Gouvarinho zangada com Carlos e com ciúmes da sua proximidade com Maria Eduarda, passa o tempo a mandar-lhe indirectas. O clima suaviza-se durante o jantar, devido aos ditos irreverentes do Ega. De seguida, a pretexto de um mal-estar de Charlie (filho dos Gouvarinho), a Teresa beija Carlos nos aposentos interiores, como que reconciliando-se e perdoa-lhe.

   Na 3ª feira, depois de um encontro escaldante com a Gouvarinho na casa da sua titi, Carlos chega atrasado à casa de Maria Eduarda". No meio da conversa, Domingos anuncia Dâmaso e Maria Eduarda recusa-se a recebê-lo - Dâmaso fica furioso. Maria fala a Carlos sobre uma possível mudança de casa (e ele pensa logo na casa do Craft, decidindo comprá-la para ela). Carlos deixa escapar que a "adora" depois de uma troca de olhares, beijam-se. Na 4ª feira, Carlos conclui o negócio da casa com o Craft. Maria Eduarda fica um pouco renitente com a pressa de tudo, mas acaba concordando, com um novo beijo.

   Ega, mostra-se insultado pelo segredo que Carlos faz de tudo, mas este acaba por lhe contar que se apaixonou e envolveu com Maria Eduarda.

o      Capítulo XIII

   Ega informa a Carlos de que Dâmaso anda a difamá-lo a ele e a Maria Eduarda. Carlos fica furioso, querendo matá-lo e ao encontrá-lo na rua, ameaça-o. Depois, faz os preparativos para a mudança de Maria Eduarda para os Olivais.

  No sábado, Maria Eduarda visita a sua nova casa nos Olivais (descrição da casa e das suas belas colecções). Depois da visita e do almoço, Carlos e Maria Eduarda envolvem-se.

  No domingo é o aniversário de Afonso da Maia, e todos os amigos da casa estão presentes. Descobre-se que Dâmaso estava a namorar a Cohen. Depois a Gouvarinho aparece querendo falar com Carlos - acabam por discutir sobre a ausência de Carlos e depois terminam tudo.

o      Capítulo XIV

   Afonso parte para Sta. Olávia e Carlos fica sozinho no Ramalhete, pois Ega parte para Sintra (e curiosamente os Cohen também). Maria Eduarda instala-se nos Olivais, e Carlos passa a frequentar a casa todos os dias, e eles pretendem fugir até Outubro para Itália e casar lá, mas Carlos pensa no desgosto que dará ao avô (porém a sua felicidade supera). Descreve-se as idas de Carlos aos Olivais: os encontros com Maria Eduarda e as relações que tinham no quiosque japonês e também as noites que Carlos passa com ela, às escondidas. Acaba por alugar uma casa perto dos Olivais para ele ficar, enquanto não está com Maria na Toca (nome dado aos Olivais). Numa dessas noites, descobre Miss Sara enrolada no jardim da casa com o jornaleiro. Sente vontade de contar tudo a Maria Eduarda mas, à medida que pensa no caso, decide não dizer nada.

   Chega Setembro. Craft, regressado de Sta. Olávia para o Hotel Central, diz a Carlos que pareceu-lhe estar o avô desgostoso por Carlos não ter aparecido por lá. Então, Carlos decide ir vistar Afonso, mas antes leva Maria a visitar o Ramalhete (e Maria Eduarda refere que às vezes Carlos faz-lhe lembrar a sua mãe e conta-lhe a sua história - a mãe era da ilha da Madeira que casara com um austríaco e que tinha tido uma irmãzinha, que morrera em pequena).

   Uma semana depois Carlos regressa de Sta Olávia e fala com Ega que voltara de Sintra. Nessa noite, Castro Gomes aparece no Ramalhete, com uma carta anónima que lhe tinham mandado para o Brasil, dizendo que a sua mulher tinha um amante, Carlos da Maia. Carlos fica estupefacto, e acaba pró perceber que era a letra de Dâmaso. Depois, Castro Gomes conta-lhe que não é marido de Maria Eduarda, nem pai de Rosa, e que apenas vivia amigado com ela. Diz-lhe também que se vai embora, e que Maria Eduarda se chama Madame Mac Gren. Furioso pela mentira de Maria, Carlos decide ir confrontá-la. Ao entrar, sabe por Melanie, a criada, que o Castro Gomes já lá tinha estado. Maria Eduarda, a chorar, pede perdão a Carlos de não lho ter contado, pois tinha medo que ele a abandonasse, e conta então a verdadeira história da sua vida. Depois de uma grande cena de choro, Carlos pede-a em casamento.

 

o      Capítulo XV

   Na manhã seguinte, perguntam a Rosa se quer o Carlos como "papá", que fica toda feliz e aceita. Maria Eduarda conta toda a sua vida detalhadamente. Dias depois, Carlos conta tudo o que se passara a Ega que lhe diz que seria melhor esperar que o avô morresse para então se casar, pois Afonso estava velho e débil e não aguentaria o desgosto.

 Carlos e Maria Eduarda começam a dar jantares de amizade dados nos Olivais, e todos os amigos de Carlos se começam a familiarizar com ela. Mais tarde, Carlos, através do Ega, um n.º da Corneta do Diabo, que o difama, denunciando o passado de Maria Eduarda e a sua relação com ela. Carlos passa-se e decide matar quem escreveu o artigo; descobre depois, com a ajuda de Ega, o editor do artigo, Palma, que o tinha feito a pedido de Dâmaso e Eusebiozinho, e Palma entrega-lhe as provas ( tendo isto um custo para Carlos claro). Carlos manda os seus padrinhos, Ega e Cruges, pedir a honra ou a vida a Dâmaso, que acaba por escrever uma carta de desculpas a Carlos, ditada por Ega, em que afirmava sem um bêbado. Satisfeito, Carlos entrega a carta a Ega agradece-lhe. Depois, Ega ao ver Dâmaso com Raquel e ainda o provocar por isso, decide publicar a carta no jornal e assim humilhar Dâmaso, que envergonhado parte para a Itália. Afonso regressa de Sta. Olávia, Carlos abandona a casa que alugara perto dos Olivais e Maria Eduarda volta para o apartamento da mãe de Cruges na Rua de S. Francisco, deixando a Toca.

o      Capítulo XVI

   Carlos e Ega vão ao sarau da Trindade ouvir o Cruges e o Alencar, que nessa noite vão lá estar. Aí, ouvem o discurso de Rufino sobre a família real e Ega conhece Mr. Guimarães, o tio de Dâmaso que vivia em Paris e trabalhava no jornal, que lhe viera pedir explicações sobre a carta que Dâmaso escrevera, que lhe disse ter sido Ega a obrigá-lo a fazer. Ega e Guimarães acabam por resolver tudo e ficam amigos. Cruges toca, mas é um fiasco, pois ninguém lhe liga nenhuma. Depois, Carlos vê o Eusebiozinho e vai atrás dele e dá-lhe uns "abanões" e um pontapé devido á história da carta. Quando regressa ao sarau já Alencar começara a declamar o sue poema "Democracia" e a encantar a sala. Todos adoraram o que Tomás dissera acerca do estado da política em Portugal, um puro exemplo de realismo, o estilo que agora predominava. Mais tarde, quando Ega se ia embora, Guimarães aparece dizendo lhe que tem um cofre da mãe de Carlos para entregar à família, que esta lhe tinha pedido antes de morrer. No meio da conversa, Ega descobre que Carlos tem uma irmã, e Guimarães diz tê-los visto aos três numa carruagem: Carlos, Ega e a irmã, Maria Eduarda. Depois, Guimarães conta a Ega o passado de M.ª Monforte inclusive a mentira que ela dissera a Maria Eduarda sobre o seu pai, e diz que Maria é filha de Pedro da Maia, pois ele era amigo da família e nessa atura já os visitava. Fala também da fuga da Monforte com Tancredo, da filha que eles tiveram e morreu em Londres, e depois, da vida de Maria Eduarda no convento, que ele próprio a visitara. Guimarães entrega o cofre a Ega, que chocado com a verdade, decide pedir ajuda a Vilaça para contar tudo a Carlos.

o      Capítulo XVII

   Ega sem coragem para contar tudo a Carlos, procura Vilaça e conta-lhe tudo. Juntos, abrem o cofre da Monforte e acham lá uma carta dela para Maria Eduarda onde diz toda a verdade: ela é filha de Pedro da Maia. No dia seguinte, Vilaça e Ega contam a verdade a Carlos, que não acredita no que lhe contam, e aflito, procura o avô e conta-lhe tudo, com esperança que este lhe desminta a história. Mas Afonso acaba por confirmar, e em segredo diz a Ega que sabe que Carlos tem um caso com Maria Eduarda. Apesar de já saber a verdade, nessa noite Carlos vai ter com Maria Eduarda; primeiro pensara em dizer-lhe tudo e depois fugir para Sta. Olávia, mas depois, incapaz, acaba por deixar-se levar por ela e ali ficar. Continuava a ama-la, e o facto de serem irmão não mudava o que ele sentia. 3 Dias passam.

   Afonso da Maia sabe que Carlos continua a encontrar-se com Maria Eduarda, e fica desolado. Ega furioso com o comportamento de Carlos, confronta-o e ele decide partir no dia seguinte para os Olivais. No dia seguinte, Baptista (o seu criado) chama-o, dizendo a Carlos que o avô estava desmaiado no jardim. Carlos corre lá vê o avô estava morto (suponho ser trombose, visto que tinha um fio de sangue aos cantos da boca). Carlos fica triste, desolado, e culpa-se a si mesmo da morte do avô, pois achava que era pelo avô saber tudo que tinha morrido. Ega escreve um bilhete a informar Maria Eduarda do facto. Vilaça toma as providências para o funeral. Os amigos da família reúnem-se no velório e recordam Afonso e a juventude. Dá-se o enterro e Carlos parte para Sta. Olávia, pedindo a Ega para ir falar com Maria Eduarda e lhe contar tudo e dizer-lhe que parta para Paris, levando 500 libras. Ega fala com Maria Eduarda, que parte no dia seguinte para Paris, para sempre.

 

 

 

o      Capítulo XVIII

   Passam-se semanas. Sai na "Gazeta Ilustrada" a notícia da partida de Carlos e Ega numa longa viagem pelo mundo: Londres, Nova York, China, Japão. Um ano e meio depois Ega regressa trazendo consigo a ideia de escrever um livro, "Jornadas da Ásia"e contando que Carlos ficara em Paris, onde alugara um apartamento, pois não queria mais lembrar a Portugal

   Dez anos depois Carlos chega a Lisboa para matar saudades e almoça no Hotel Bragança com Ega, que lhe conta as novidades: que a sua mãe morrera, que a Sra. Gouvarinho herdara uma fortuna e agora estavam mais Aparece o Alencar e o Cruges, que falam desse anos que passaram: Alencar cuidava agora da sobrinha, pois a sua irmã morrera e Cruges escrevera uma ópera cómica, a “ Flor de Sevilha” que lhe valera o merecido reconhecimento; Craft mudara-se para Londres; O marquês de Souzela morrera; D. Diogo casara-se com a cozinheira; O general Sequeira fora morto; Taveira continuava o mesmo; e Steinbroken era agora ministro em Atenas. Depois, combinam um jantar e Ega e Carlos vão visitar o Ramalhete. Pelo caminho encontram o Dâmaso, que casara com a filha mais nova de um comerciante falido e que para além de ter de sustentar toda a família, a mulher traia-o. Aos poucos, Carlos toma consciência do novo Portugal que existe agora, anos passados. Vêm Charlie que passa por eles e Carlos vê que ele está um homem ( Ega insinua que ele é maricas,). Depois, encontram Eusébio, que fora obrigado a casar com uma mulher forte, pois o pai dela apanhara-os a namorar.

   No Ramalhete, a maior parte das decorações (tapetes, faianças, estátuas) já tinham ou estavam a ser despachadas para Paris, onde Carlos vivia agora, e que lá se guardavam os móveis e outros objectos trazidos da Toca. Carlos relembra Maria Eduarda e conta a Ega que recebera uma carta dela. Ia casar com um tal de Mr. de Trelain, decisão tomada ao fim de muitos anos , e que tinha comprado uma quinta em Orleães, “ Les Rosières”. Carlos encara este casamento de Maria Eduarda como um final, uma conclusão da sua história, era como se ela morresse, como se a Maria Eduarda deixasse de existir e passasse apenas a haver a Madame de Trelain. Passam pelo escritório de Afonso que lhes trás tristes recordações e depois, Ega e Carlos que não vale a pena viver, pois a vida é uma treta. Por mais que tentemos lutar para mudá-la, não vale a pena o esforço, porque tudo são desilusões e poeira. Saem do Ramalhete e vêem que estavam atrasados para o jantar e ao verem o coche ir-se embora, correm atrás dele…


 




Os Maias IV

Personagens de Os Maias

  • Afonso da Maia
  • Maria Eduarda Runa
  • Pedro da Maia
  • Maria Monforte
  • Manuel Monforte
  • Carlos da Maia
  • Maria Eduarda
  • Vilaça pai
  • Manuel Vilaça júnior
  • João da Ega
  • Tancredo
  • Tomás de Alencar
  • Dâmaso Salcede
  • Os condes de Gouvarinho
  • Brown, o inglês, Brown era o tutor de Carlos da Maia, apoiava a educação do corpo e só depois a educação da mente.
  • Os Cohen
  • Craft
  • Vitorino Cruges ( o maestro)
  • Steinbroken
  • O Marquês de Souzela
  • Rosa
  • Mr de Guimarães
  • Miss Sara
  • Melanie
  • Castro Gomes
  • Eusebiozinho Silveira
  • D. Maria da Cunha
  • A baronesa de Alvim
  • Palma "Cavalão"
  • Baptista ( o criado de Carlos)
  • Taveira
  • General Sequeira
  • Reverendo Bonifácio, o gato de Afonso
  • D. Diogo

 

 



Lugares de Os Maias

  • Lisboa (O aterro, a Rua de S. Francisco, o Rossio, etc.)
  • O Ramalhete
  • Coimbra
  • A quinta dos olivais ( a Toca)
  • Apartamento na Rua de S. Francisco
  • A quinta de Santa Olávia
  • Hotel Central
  • Sintra (Hotel Lawrence, Hotel Nunes, Seteais, o palácio do Paço)
  • Inglaterra
  • França

 

 

 

 

 

 

 

 


 



publicado por miss.bree às 00:50
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Os Maias V

Lisboa do tempo dos Maias

   Há em “Os Maias” um retrato da Lisboa da época. Quem conheça Lisboa pode espantar-se com o muito que as personagens andam a pé – Carlos, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha com frequência até ao Rossio (embora, por vezes, vá a cavalo ou de carruagem), coisa que, hoje, poucos lisboetas se disporão a fazer. Algumas das lojas citadas no livro ainda existem – a Casa Havaneza, no Chiado, por exemplo. É possível seguir os diferentes percursos de Carlos ou do Ega pelas ruas da Baixa lisboeta, ainda que algumas tenham mudado de nome. No final do livro, quando Carlos volta a Lisboa muitos anos depois, somos levados a ver as novidades – a Avenida da Liberdade, que substituiu o Passeio Público, e que é descrita como uma coisa nova, e feia pela sua novidade, exactamente como nos anos 70 se falava das casas de emigrante.



 

A crítica social

   O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma «choldra ignóbil». Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as «civilizações superiores» – da França e Inglaterra, principalmente.

   Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógradas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega…: lembre-se o que se passou no Sarau do Teatro da Trindade); os jornalistas boémios e venais (Palma…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia, são feias.

   Para cúmulo de tudo isto, os protagonistas acabam «vencidos da vida». Apesar de ser isto referido no fim do livro, pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um "prato de paio com ervilhas", ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano (eléctrico).

   Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.

   Quando o autor escreve mais tarde A Cidade e as Serras, expõe uma atitude muito mais construtiva: o protagonista regenera-se pela descoberta das raízes rurais ancestrais não atingidas pela degradação da civilização, num movimento inverso ao que predomina n’Os Maias.

   Neste romance há uma abordagem científica. O romance foi escrito numa altura em que as ciências floresciam. Eça joga nele com o peso da hereditariedade (Carlos teria herdado da avó paterna e do próprio pai o carácter fraco, e da mãe a tendência para o desequilíbrio amoroso), e da acção do meio envolvente sobre o indivíduo (Carlos fracassa, apesar de todas as condicionantes que tem a seu favor, porque o meio envolvente, a alta burguesia lisboeta, para tal o empurra). A psicologia dava os seus primeiros passos – é assim que Carlos, mesmo sabendo que a mulher que ama é sua irmã, não deixa de a desejar, uma vez que não basta que lhe digam que ela é sua irmã para que ele como tal a considere.


 



publicado por miss.bree às 00:21
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Euzinha
pesquisa aqi q nao vais muito longe
 
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