Um blog para os desesperados alunos do 11º, que nao tiveram tempo para ler o livro ou simplesmente para algum trabalho que seja necessa'rio =P ... so' eu pa ter paciencia pa 1a cena destas... Miss Bree...
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Teste de portugues

Personagens:

Carlos da Maia é o protagonista, segundo filho de Pedro e Mª Monforte. Após o suicídio do pai vai viver com o avô para Santa Olávia, sendo educado à inglesa pelo preceptor, o inglês Brown. Sairá de Santa Olávia para tirar Medicina em Coimbra. Descrito como um belo jovem da Renascença com olhos negros e líquidos próprios dos Maias, alto, bem feito, de ombros largos, com uma testa de mármore sob os anéis dos cabelos pretos, barba muito fina, castanho escura, rente na face, aguçada no queixo e com um bonito bigode arqueado aos cantos da boca, era admirado pelas mulheres, elegante na sua toilette e nos carros que guia. Depois do curso acabado, viaja pela Europa. Regressando a Lisboa traz planos grandiosos de pesquisa e curas médicas, que abandona ao sucumbir à inactividade, pois, em Portugal, um aristocrata da sua estirpe não é suposto ser médico. Apesar do entusiasmo e das boas intenções fica sem qualquer ocupação e acaba por ser absorvido por uma vida social e amorosa que levará ao fracasso das suas capacidades e à perda das suas motivações. É um diletante que se interessa por imensas coisas, demonstrando um comportamento dispersivo. Carlos transforma-se numa vítima da hereditariedade (visível na sua beleza e no seu gosto exagerado pelo luxo, herdados da mãe e pela tendência para o sentimentalismo, herdada do pai) e do meio em que se insere, mesmo apesar da sua educação à inglesa e da sua cultura, que o tornam superior ao contexto sociocultural português. Será absorvido pela inércia do país, assumirá o culto da imagem, numa atitude de dândi. A sua superioridade e distância em relação ao meio lisboeta é traduzida pela ironia e pela condescendência. O dandismo revela-se em Carlos num narcisismo que se alia ao gosto exagerado pelo luxo e também na auto-marginalização voluntária em relação à sociedade, motivada pelo cepticismo e pela consciência do absurdo e do vazio que governa o mundo daqueles que o rodeiam. A sua verdadeira paixão nascerá em relação a Mª Eduarda, que compara a uma deusa e jamais esquecerá. Por ela dispõe-se a renunciar a preconceitos e a colocar o amor no primeiro plano. Ao saber da verdadeira identidade de Mª Eduarda consumará o incesto voluntariamente por não ser capaz de resistir à intensa atracção que Mª Eduarda exerce sobre ele. Acaba por assumir que falhou na vida, tal como Ega, pois a ociosidade dos portugueses acabaria por contagiá-lo, levando-o a viver para a satisfação do prazer dos sentidos e a renunciar ao trabalho e às ideias pragmáticas que o dominavam quando chegou a Lisboa, vindo do estrangeiro. Simboliza a incapacidade de regeneração do país a que se propusera a própria Geração de 70. Não teme o esforço físico, é corajoso e frontal, amigo do seu amigo, parece incapaz de fazer uma canalhice. É uma personagem modelada.

 

Mª Eduarda: é apresentada como uma deusa. Dizendo-se viúva de Mac Green, sabia apenas que a sua mãe abandonara Lisboa, levando-a consigo para Viena. Tivera uma filha de Mac Gren, Rosa. À sua perfeição física alia-se a faceta moral e social que tanto deslumbram Carlos. A sua dignidade, a sensatez, o equilíbrio e a santidade são características fundamentais da sua personagem, às quais se juntam uma forte consciência moral e social aliadas a uma ideologia progressista e pragmática, fazendo ressaltar a sua dualidade aristocrática e burguesa. Salienta-se ainda a sua faceta humanitária e a compaixão pelos socialmente desfavorecidos. A súbita revelação da verdadeira identidade de Mª Eduarda, vai provocar em Carlos estupefacção e compaixão, posteriormente o incesto consciente, e depois deste, a repugnância. A separação é a única solução para esta situação caótica a que se junta a morte de Afonso, consumando as predições de Vilaça. A sua apresentação cumpre os modelos realista e naturalista, é o exemplo de que o indivíduo é um produto do meio, pelo que coincidem no seu carácter e no espaço físico que ela ocupa duas vertentes distintas da sua educação: a dimensão culta e moral, construída aquando da sua estadia e educação num convento, e a sua faceta demasiado vulgar, absorvida durante o convívio com sua mãe. Ela é o último elemento feminino da família Maia e simboliza, tal como as outras mulheres da família, a desgraça e a fatalidade. a mulher surge na obra como um factor de transformação do mundo masculino, conduzindo à esterilidade e à estagnação. É de uma enorme dignidade, principalmente quando não quer gastar o dinheiro de Castro Gomes por estar ligada a Carlos. Adivinha-se bondosa e terna, culta e requintada no gosto. No final da obra, parte para Paris onde mais tarde de saca com Mr. de Trelain, casamento considerado por Carlos o de dois seres desiludidos. É uma “personagem-tipo”.

 

Afonso da Maia: Física/: maciço, ñ mt alto, ombros quadrados e fortes, de cara larga, nariz aquilino, pele corada, cabelo branco, barba comprida e branca. Psicológica/: duro, clássico, ultrapassado, paciente, caridoso (ajuda os +pobres e +fracos), nobre, espírito são, rígido, austero, risonho e individualista. Símbolo de…liberalismo (na juventude), integridade moral e rectidão de carácter, eco e reflexo do passado glorioso, Portugal integro, associado a 1 passado heróico, incapacidade de regeneração do país, modelo de autodomínio. Morre de apoplexia, no jardim do Ramalhete, na sequência do incesto dos netos, Carlos e Mª Eduarda. É o + simpático e o + valorizado p/Eça.

 

 

João da Ega: Autêntica projecção de Eça de Queirós pela ideologia literária, usando também um “vidro entalado no olho direito” e “com a sua figura esgrouviada e seca”, era considerado “como o maior ateu e demagogo”. Mefistófeles de Celorico, excêntrico, cínico, o denunciador de vícios, o demolidor energético da política e da sociedade, o homem k possui “faísca, rasgo, estilo e coração”, é, no fundo, “um romântico e um sentimental”. Tornou-se amigo inseparável e confidente de Carlos. Instalou-se no Ramalhete, e a sua grande paixão será Raquel Cohen. Como Carlos, tem grandes projectos (a revista, o livro, a peça) que nunca chega a realizar. É também um falhado, influenciado pela sociedade lisboeta decadente e corrupta. É uma personagem plana, caricatural, (símbolo do realismo/naturalismo) embora nos últimos 4 Cap. ganhe uma certa densidade psicológica e passa a desempenhar 1 papel fulcral na intriga, sendo ele o primeiro a conhecer a verdadeira identidade de Mª Eduarda. É Ega que faz a revelação trágica a Vilaça, Carlos (que contará ao avô Afonso) e, por fim, a Mª Eduarda. A sua vida psicológica manifesta-se também ao nível da reflexão interiorizada através de monólogos interiores, sobretudo depois do encontro com o Sr. Guimarães, no capítulo XVI.

 

Pedro da Maia: Física/: pequeno, de rosto oval, olhos dos maias, murcho, amarelo, tem corpo frágil capaz de reflectir a fragilidade da alma, extrema/ sensível. Protótipo: do herói romântico e é personagem-tipo. Psicologica/: temperamento nervoso, crises de melancolia, sentimentos exagerados, intavel emocionalmente (cmo a mãe). Educação: tradicional – portuguesa – romântica – memorização, catecismo, versos românticos, criado pelas craidas e mãe, estudava línguas mortas, sem ginástica nem regras, com chantagens emocionais. Sente um amor quase doentio pela mãe, pelo que quando esta morre mergulha num estado próximo da loucura, mas, quando reage adopta uma vida devassa e vulgar, a qual abandona pouco depois, regressando à sua vida soturna e a ler livros religiosos. Deixou-se encadear por um amor à primeira vista que o conduziu a um casamento, de estilo romântico, com Mª Monforte. Este enlace precipitado levá-lo-ia mais tarde ao suicídio – após a fuga da mulher – por carecer de sólidos princípios morais e de força de vontade que o deveriam levar à aceitação da realidade e à superação daquele contratempo.

 

Mª Monforte: Física/: alta, cabelos louros, testa curta e clássica, olhos azuis e carnação de mármore, comparável às deusas. Psicológica/: personalidade fútil mas fria, caprichosa, cruel e interesseira. Protótipo: da cortesã: leviana e amora, sem preocupações culturais ou sociais. É filha do Monforte, e é conhecida em Lisboa por “a negreira”, porque seu pai enriqueceu transportando negros e arrancando a riqueza da “pele do africano”. Contra a vontade de Afonso, Pedro da Maia apaixona-se e casa com ela. Nasceram Carlos e Mª Eduarda. Mª Monforte virá a fugir com o italiano Tancredo, levando Mª Eduarda consigo e abandonando Carlos e provocando o suicídio de Pedro. Entretanto, o italiano é morto num duelo e Mª levará uma vida dissoluta. Entregará a Guimarães um cofre com documentos p/ a identificação da filha.

 

Alencar: “Personagem-tipo”, é o símbolo do romantismo. Representa a incapacidade de adaptação à “ideia nova” (realismo), tornando-se “paladino da Moral e gendarme dos Bons Costumes”.

 

Dâmaso Salcede: representa a podridão das sociedades, é o “rafeiro” de Carlos, anda sempre atrás dele e imita-o em tudo. Costuma ser considerado o representante do novo riquismo e a súmula dos vícios e futilidades da Lisboa dos fins do sec.XIX.

 

Conde de Gouvarinho: é ministro, e representa o poder político incompetente.

Condessa de Gouvarinho e Raquel Cohen: mulheres adulteras, sem princípios morais.

Sousa Neto: Oficial superior do ministério da instrução publica, representa a mediocridade intelectual, dá o espelho da administração portuguesa.

Palma cavalão: Director do jornal A corneta do diabo, representa o jornalismo corrupto, sensacionalista e escandaloso que vive da calúnia e do suborno.

Craft: inglese, representa a formação e mentalidade britânicas, sendo Craft o jovem mais parecido com Carlos

Jacob Cohen: judeu banqueiro, representante da alta finança, poder económico.

Steinbroken: bom barítono, ministro da Finlândia, “insuportavelmente maçador e inoperante” pk representa uma diplomacia inútil nuns pais como Portugal.

Eusebiozinho: representa a educação tradicionalmente portuguesa, romântica, uma educação sem valores morais.

Guimarães: personificação do destino.

Cruges: é dos poucos que é moralmente correcto, representa a excepção na mediocridade da sociedade portuguesa, é idealista. Vilaça: procurador dos Maias, acredita no progresso.

Taveira: “empregado público”, funcionário do Tribunal de Contas, representa a mediocridade.

Rufino: deputado, orador balofo, fala muito mas não diz nada.

Neves: director d’”A Tarde”, deputado e político, símbolo do jornalismo político e parcial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espaço:

Espaço físico: São variados os espaços geográficos e, estão relacionados com o percurso da personagem principal. Assim os espaços privilegiados são Sta Olávia (infância e educação de Carlos), Coimbra (seus estudos, e primeiras aventuras amorosas) e Lisboa, onde irá desenrolar-se toda a acção após a sua formatura e regresso da sua “longa viagem pela Europa”. Sintra e Olivais são espaços tambem muito referidos, mas onde não se passa qualquer acção de relevo no romance. Os espaços interiores são descritos exactamente de acordo com as personagens. Os espaços interiores mais destacados são O Ramalhete, o quarto da Toca, a Vila Balzac e o consultório de Carlos.

 

Espaço Social: a burguesia e a alta aristocracia decadentes e corruptas. Cumpre um papel eminentemente crítico. O Jantar no Hotel Central é onde o herói, Carlos, contacta pela primeira x com o meio social lisboeta, e em que é dada uma visão fortemente critica das limitações da mentalidade da sociedade portuguesa. As corridas de cavalos onde há a denuncia da mentalidade provinciana. O jantar em casa dos Gouvarinho em k se critica a mediocridade mental e a superficialidade das classes dirigentes. O episódio do jornal A Tarde em k se desmascara o parcialismo, o clientelismo partidário, a venalidade e a incompetência dos jornalistas da época. Sarau literário do teatro da Trindade, em que se criticam a superficialidade e a ignorância da classe dirigente. O Passeio final de Carlos e Ega em Lisboa, traduz o sentido de degradação progressiva e irremediável da sociedade portuguesa, para a qual não é visualizada qualquer saída airosa.

 

Espaço psicológico: representa as emoções, afectividades e intimo das personagens, revela e desencadeia estados de espírito, intimamente relacionados com a subjectividade. É uma forma de penetrar “nas zonas de vivência intima (sonhos, emoções, reflexões) de determinadas personagens” que desempenham papeis mais relevantes na acção, como Carlos (reflexões sobre o parentesco que o liga a Mª Eduarda, visão do ramalhete e do avo após o incesto e a contemplação de Carlos a Afonso, já morto, Cap. XVII) e Ega (reflexões e inquietação após a descoberta da identidade de Mª Eduarda, Cap. XVI).

 

Aspectos relevantes da prosa queirosiana: Discurso indirecto livre: evita o abuso excessivo dos verbos introdutores do diálogo, contribui para o tom oralizante, e confunde o leitor, propositadamente, para tornar as críticas feitas pelas personagens mais convincentes e persuasivas; criticas essas que são bem mais do que isso: são comentários do próprio Eça; Ironia; Hipálages, metáforas, onomatopeias, sinestesias, gradações, personificações, repetições, comparações; Adjectivação; Diminutivo; Neologismos, estrangeirismos; Nome (“um cansaço, uma inércia...” – nome abstracto, com vários significados); Verbo (“ele rosnou...”) – preferência pela fórmula gerúndio+conjugação perifrástica para dar uma ideia de continuidade e muitas vezes, de arrastamento, no sentido de aborrecido; Advérbio de modo

 

Simbolismo:

A Toca é o nome dado à habitação de certos animais, apontando desde logo para o carácter animalesco do relacionamento amoroso entre Carlos e Mª  Eduarda, em k o prazer se sobrepõe á racionalidade e aos valores morais. Os aposentos de Mª  Eduarda simbolizam a tragédia da relação, a profanação das leis cristas e humanas, a sensualidade pagã e excessiva onde não existem atitudes de respeito pelos outros.

O Ramalhete está simbolicamente ligado à decadência moral do Portugal da Regeneração. O percurso da família Os Maias, está relacionado com as modificações existentes no Ramalhete. Quando Afonso vive em Sta Olávia, após a morte de Pedro, está desabitado. Quando Afonso e Carlos se mudam para O ramalhete, este ganha vida, sendo agora símbolo de esperança e de vida. É no jardim da mansão que se encontram dois grandes símbolos que ao longo da obra se transformam: a cascata, quando deita água simboliza a vida, e quando está seca representa morte; a estátua da Vénus Citereia, simboliza quando luzidia, a vida, e quando com ferrugem, a morte. Dentro do Ramalhete também tem muita carga simbólica, como os panos brancos em cima dos móveis do escritório de Afonso, fazendo lembrar as mortalhas em k se embrulham os mortos. Todo o historial do Ramalhete está carregado de símbolos trágicos (por exemplo, o enforcamento, após loucura, de um cunhado de Afonso) tendo Vilaça logo avisado que “eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete”(Cap. I.), confirmando esse aviso no Cap. XVII, quando já consumada a catástrofe, “Há três anos…O Sr. Afonso da Maia riu-se de agouros e lendas…pois fatais foram!”

Um prolixo cromático povoa Os Maias, cumprindo não só os postulados do impressionismo, mas também os do simbolismo. O vermelho tem na obra um carácter duplo: ora feminina e nocturna, centrípeto, ora masculina e de poder centrífugo. Mª Monforte e Mª  Eduarda são portadoras de um vermelho feminino, fogo que desencadeia a libido e a sensibilidade, espalham a morte provocando o suicídio de Pedro, a morte física de Afonso e a morte psicológica de Carlos. O amarelo/dourado indica o carácter ardente da paixão, tendo um significado duplo: cor do ouro de essência divina; cor da terra simbolizando o Verão e o Outono, anunciando a velhice, o Outono e a proximidade da morte. Mª Monforte e Mª Eduarda conjugam o vermelho (leque negro [negro conotado com morte e luto] “pintado com flores vermelhas, sombrinha escarlate”) com o negro (“olhos negros”) e, com o amarelo/dourado (“cabelos de ouro”), pelo que, tanto simbolizam a vida como a morte, o divino e o humano, a aparência e a realidade, a força que se torna fraqueza. O presságio do sangue pode ser visto à luz dos netos de Afonso que, sendo do mesmo sangue, se vão envolver numa relação incestuosa, manchando a honra familiar dos Maias.

Afonso simboliza os valores morais e o liberalismo. Sendo assim, com a morte de Afonso da Maia, todos os princípios morais, que ainda existiam em Portugal, acabam. A morte instala-se no país.

 

A feição trágica de os Maias: O tema do incesto | A presença do destino/fatalismo | Os presságios | A estrutura da fábula trágica dividida em 3 momentos. A peripécia, súbita mutação dos sucessos, verifica-se quando Guimarães vê Mª Eduarda e revela, a identidade desta, a Ega, e quando Mª Eduarda descobre o terrível segredo. O reconhecimento, é progressivo, desenrola-se em 2 capítulos e entre as revelações passam-se dias. Ega ao saber do parentesco dos netos de Afonso fica desorientado e vai falar com Vilaça, que acaba por revelar a Carlos, e este a Afonso. A catástrofe dá-se com a morte de Afonso, vítima inocente, e com a separação definitiva dos amantes. Destino: O destino, enquanto força de destruição, é personificado por Guimarães que irá desencadear a anagnórise (reconhecimento) e consequente tragédia. Praticamente desde o inicio da obra, subtil mas frequentemente, se vêm fazendo referências ao destino (Cap. I – o nome Carlos Eduardo; Cap. XI – semelhança de nomes; uso, mt frequente, de palavras da família de fado/destino: catalise, fatalmente, fatais).

 

Intriga>>> Eça serve-se da história de uma família para narrar as desventuras de uma sociedade. Assim, o romance acompanha dois níveis de acções distintos, um decorrente do título “Os Maias” , tem por personagem central Carlos e se subdivide numa intriga principal e numa intriga secundária, outro decorrente do subtítulo “Episódios da vida romântica” foca a descrição de eventos recreativos da sociedade portuguesa da Regeneração, constituindo a crónica da costumes. || O nível de acção decorrente do título dá-nos a conhecer a história da família Maia ao longo das gerações de Caetano, Afonso, Pedro e Carlos da Maia. A intriga principal é constituída pelo romance entre Carlos e Maria Eduarda; a intriga secundária dos amores de Pedro e Maria Monforte é necessária para construir a intriga central. A acção das intrigas é fechada porque não há possibilidade de continuação: Pedro suicida-se, Maria Monforte já morreu, Maria Eduarda e Carlos suicidam-se psicologicamente perdendo a capacidade de amar, e Afonso morre. A temática do incesto desencadeia toda a intriga. || A crónica de costumes engloba os ambiente sociais, os figurantes e seus comportamentos, bem como as relações do protagonista Carlos, quer com o ambiente, quer com as personagens, pelo que os episódios são acções ainda que com duração limitada, é uma acção aberta porque cada episódio pode continuar. É fundamentalmente ao nível da intriga principal que surge a crónica de costumes, pelo que ambas se desenvolvem em paralelo.

 

O Jantar no Hotel Central proporcionou a Carlos a primeira visão de Mª Eduarda e o contacto com a sociedade de elite. Este jantar é a radiografia de Lisboa no que respeita à literatura, à finança e à política. A mentalidade retrógrada de Alencar e o calculismo e cinismo com que Cohen comenta a deterioração financeira são elementos marcantes da crise de uma geração e do próprio País. Através desta reunião da sociedade, Eça retrata uma cidade num esforço para ser civilizada, mas que não resiste e acaba por mostrar a sua impressão, a sua falta de civilização. As limitações ideológicas e culturais acabam por estalar o verniz das aparências quando Ega e Alencar depois de usarem todos os argumentos possíveis partem para ataques pessoais que culminam numa cena de pancadaria, mostrando o tipo de educação desta “alta” sociedade lisboeta que tanto se esforça por ser (ou parecer) digna e requintada, mas que no fundo é grosseira.

As corridas de cavalos são uma sátira ao esforço de cosmopolitismo que se espelha no desejo de imitar o que se faz no estrangeiro e era considerado sinal de progresso, e ao provincianismo do acontecimento. Apreciamos de forma irónica e caricatural uma sociedade burguesa que vive de aparências, com destaque para a assistência feminina. O traje escolhido pela maioria da assistência não se adequava à ocasião, daí alguns cavalheiros se sentirem embaraçados com o seu chique, e muitas senhoras trazerem “vestidos sérios de missa”, acompanhados por grandes chapéus emplumados da última moda, mas que não se adequavam nem ao evento, nem à restante toilette. Critica-se ainda a falta de à-vontade das senhoras da tribuna que não falavam umas com as outras e que para não desobedecerem às regras de etiqueta permaneciam no seu posto, mas constrangidas. Os homens surgem desmotivados “numa pasmaceira tristonha”. A assistência não revela qualquer entusiasmo pelo acontecimento e comparecem somente por desejar aparecer no “High Life” dos jornais e/ou para mostrar a extravagância do vestuário. Fisicamente o espaço é degradado: o recinto parece uma quintarola, as bancadas são improvisadas, besuntadas de tinta com palanques de arraial. O bufete fica debaixo da tribuna “sem sobrado, sem um ornato”, onde os empregados sujos achatavam sanduíches com as mãos húmidas de cerveja. A própria tribuna real está enfeitada com um pano reles de mesa de repartição.

O jantar em casa do Conde Gouvarinho permite através da falas das personagens, observar a degradação dos valores sociais, o atraso intelectual do país, a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia, dando especial atenção ao Conde de Gouvarinho e sobretudo a Sousa Neto. As personagens emitem duas diferentes concepções sobre a educação da mulher. Sousa Neto, o representante da administração pública, demonstra-se superficial nas suas intervenções. Sousa Neto, serve a Eça para mostrar como se encontra a cultura dos altos funcionários do Estado. Ega percebe que Sousa Neto nada sabe sobre o socialismo utópico de Proudhon e que nem é capaz de manter um diálogo consequente, rematando com a brilhante frase “Proudhon era um autor de muita nomeada”, mas “não sabia que esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos” como o amor. Posteriormente perguntará a Carlos se em Inglaterra há literatura, revelando-se ainda mais ignorante. Sousa Neto manifesta ainda a sua curiosidade em relação aos países estrangeiros, interrogando Carlos, mostrando o seu aprisionamento cultural confinado às terras portuguesas. No aspecto exterior lembra o episódio do Hotel Central, persistem as ementas francesas, a mesa enfeitada de flores, o luxo e o aparato.

Os episódios dos jornais critica a decadência do jornalismo português que se deixa corromper, motivado por interesses económicos (A Corneta do Diabo) ou evidenciam uma parcialidade comprometedora de feições políticas. No jornal A Corneta do Diabo havia sido publicada uma carta escrita por Dâmaso que insultava Carlos e expunha, em termos degradantes, a sua relação com Maria Eduarda; Palma Cavalão revela o nome do autor da carta e mostra aos dois amigos o original, escrito pela letra de Dâmaso, a troco de “cem mil réis”. A parcialidade do jornalismo da época surge quando Neves, director do jornal A Tarde, aceita publicar a carta na qual Dâmaso se retracta, depois da sua recusa inicial por confundir Dâmaso Salcede com o seu amigo político Dâmaso Guedes. A mesma parcialidade surge na redacção de uma notícia sobre o livro do poeta Craveiro, por pertencer “cá ao partido” e mais ainda quando Gonçalo, um dos redactores insulta o Conde de Gouvarinho, mas logo depois diz que “É necessário, homem! Razões de disciplina e de solidariedade partidária.

A superficialidade das conversas, a insensibilidade artística, a ignorância dos dirigentes, a oratória oca dos políticos e os excessos do Ultra-Romantismo constituem os objectivos críticos do episódio do sarau literário do Teatro da Trindade. Ressalta a falta de sensibilidade perante a arte musical de Cruges, que tocou Beethoven e representa aqueles poucos que se distinguiam em Portugal pelo verdadeiro amor à arte e que, tocando a Sonata Patética, surgiu como alvo de risos mal disfarçados, depois de a marquesa de Soutal dizer que se tratava da “Sonata Pateta”, tornando-o o “fiasco” da noite. Nota-se que o público alto-burguês e aristocrata que assistia ao sarau é pouco culto, exaltando a oratória de Rufino, um bacharel transmontano, que faz um discurso banal cheio de imagens do domínio comum para agradecer uma obra de caridade de uma princesa, recorrendo ainda a artificiosismos barrocos e ultra-românticos de pouca originalidade, mas no final as ovações são calorosas demonstrando a falta de sensibilidade do povo português.

 


sinto-me =S:

publicado por miss.bree às 22:54
link do post | Diz la' o q achas | Apanha-me,se conseguires
|

22 comentários:
De Alexande a 29 de Maio de 2009 às 01:02
Obrigado miss.bree, isto de ainda existirem pessoas que ajudam so por ajudar surpreendeu-me.. a mim i a muitos "desesperados"


De fuse a 29 de Maio de 2009 às 14:18
acho q ist vai ajudar bastante.
tenh test p fazer e n consegui ler o livro,,

obrigado pelo post


De amália a 23 de Fevereiro de 2010 às 00:38
eu li o livro, mas estava agora a ffazer um trabalho e isto deu-me uma ajuda enorme.

obrigada, deviam haver de facto mais pessoas como a senhora :D

um beijinho*


De JOAO.D a 14 de Março de 2010 às 16:03
muito obrigado este conteudo vai dar muito jeito para um trabalho de fim de periodo
^^
felicidades


De DESESPERADO a 15 de Março de 2010 às 17:22
MT BACANO. TESTE AMANHA.. UMAS FOTOS AOS TEXTOS E TA FEITO!


De Ana a 11 de Abril de 2010 às 15:51
Mt obrigada.
isto vai ajudar me mt num trabalho ;)


De Isabel a 15 de Abril de 2010 às 22:20
Muito obrigada mesmo. Felizmente ainda ha pessoas dispostas a ajudar :)


De Francisco a 9 de Maio de 2010 às 00:25
18 valores.
Parabéns!


De Gonçalo Olibbbeira a 10 de Maio de 2010 às 00:42
Isso ajuda e muito! Muito bem bom trabalho e obrigado.


De Rosa Coelho a 28 de Maio de 2010 às 18:19
Meu Deus!! vou ter teste daqui a 4 dias... isto foi uma ajuda E.N.O.R.M.E!!! obrigada, asseriiiooo!!
beijinho ^^


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Euzinha
pesquisa aqi q nao vais muito longe
 
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