Um blog para os desesperados alunos do 11º, que nao tiveram tempo para ler o livro ou simplesmente para algum trabalho que seja necessa'rio =P ... so' eu pa ter paciencia pa 1a cena destas... Miss Bree...

Sábado, 29 de Março de 2008
Os Maias I

Os Maias

   A história  começa com a descriçao d'“O Ramalhete”  em Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis, colocado onde deveria estar as armas da família.

     Afonso da Maia casou-se com Maria Eduarda Runa e deste casamento resultou apenas um filho - Pedro da Maia. Pedro teve uma educação tipicamente romântica, e era muito ligado à mãe. Após a sua morte ficou inconsolável, recuperando apenas quando conheceu Maria Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento resultaram dois filhos: Maria Eduarda e Carlos Eduardo. Algum tempo depois, Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (o sobrinho dos príncipes, fugido de Nápoles que Pedro fere acidentalmente numa caçada e acolhe em sua casa enquanto recupera) e foge com ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda, a sua filha preferida. Quando sabe disto, Pedro, destroçado, leva Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio. Carlos fica na casa do avô, onde é educado à inglesa (tal como Afonso gostaria que Pedro tivesse sido criado) e cresce forte e saudável.

    Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico em Coimbra. Depois, muda-se para Lisboa, para o Ramalhete com o avô e abre um consultório e um laboratório, começando também a escrever um livro. O seu melhor amigo, João da Ega, que conheceu em Coimbra, muda-se também para Lisboa, para a Vila Balzac. Ega envolve-se com Raquel Cohen, uma mulher casada e faz tudo por ela. Carlos conhece Dâmaso Salcede, um homem que ele detestava mas que se mostra depois muito útil, e seu amigo. Envolve-se com a condessa de Gouvarinho. O marido de Raquel descobre o que Ega anda a fazer com a sua mulher e insulta-o. Ega exila-se em Celorico, na casa da mãe. Mais tarde vê uma mulher no Hotel Central, a Sra. Castro Gomes, casada e com uma filha, por quem se apaixona e passa a segui-la para a ver todos os dias e descobrir quem ela é. Descobre que Dâmaso é amigo da família, e que está interessado na Sra., e fica cheio de ciúmes. Um dia é chamado como médico para ver a filha da Sra. Castro Gomes e descobre que a menina se chama Rosa e a mãe Maria Eduarda. Com a doença da governanta, que gostou muito do médico, Carlos passa a ir todos os dias a casa de Maria Eduarda. Dâmaso partira para um funeral e o Sr. Castro Gomes me negócios para o Brasil e Maria Eduarda sozinha, aproxima-se de Carlos. Os dois apaixonam-se e os dois namoram em segredo. Carlos Compra a quinta dos olivais para Maria Eduarda e chamam-lhe a Toca, e é lá que se envolvem e namoram às escondidas de todos, e planeiam fugir e casar. Carlos acaba depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado, pois Castro Gomes regressa e tendo recebido uma carta anónima a dizer que a mulher o traia com o Carlos da Maia (carta de Dâmaso), vem-lhe pedir contas, acabando por contar que Maria não é sua mulher nem Rosa é sua filha, que apenas paga a Maria para viver consigo. Carlos zanga-se com Maria Eduarda mas acabam por fazer as pazes e Carlos pede-a em casamento.

   Carlos mantem a historia em segredo não contando nada ao avô para não o magoar. O avô parte de férias para Santa Olávia. Dâmaso tenta humilhar Carlos, mas o plano sai-lhe furado e é ele que acaba humilhado. Dá-se um sarau na Trindade e Mr. De Guimarães, tio de Dâmaso que vive em Paris vem a Portugal tratar de uns assuntos e nesse sarau, fala com João de Ega, e dá-lhe uma caixa que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda, que Maria Monforte lhe entregara antes de morrer, e assim Ega percebe que Carlos é irmão de Maria Eduarda e passa-se. Vai falar com Vilaça, o procurador da família Maia e contam a Carlos toda a verdade sobre Maria Eduarda e entregam-lhe os papéis. Carlos fica chocado, e conta tudo a Afonso, excepto a parte de se ter envolvido com Maria. Apesar de saber tudo, Carlos continua a encontrar-se com Maria e a dormir com ele. Afonso da Maia sabe de tudo e acaba por morrer de desgosto.

   Desolado e sentindo-se culpado, Carlos parte para Santa Olávia e manda Ega falar com Maria Eduarda que lhe conta tudo e lhe pede para se ir embora para Paris, e chocada com tudo, Maria parte para sempre. Carlos decide viajar pelo mundo, levando consigo Ega, e vão a Londres, Nova York, Japão, China, regressando um ano depois. Carlos muda-se para Paris, para um apartamento, deixando Portugal. Passados dez anos Carlos regressa e sabe-se o final dos seus amigos, assim como o de Maria, que recusara a herança e ia agora casar. O romance acabava para sempre. Os amigos concluem que não vale a pena viver.


 





Os Maias II

Resumo, capítulo a capítulo

o      Capítulo I

   A história de “Os Maias” começa no Outono de 1875 quando Afonso da Maia se instala numa das casas da família, o Ramalhete. Durante vários anos esteve desabitada e servia apenas para guardar as mobílias do palacete de Benfica, que fora vendido. Carlos, o seu neto de Afonso é a única família que lhe restava, tinha acabado o curso de Medicina em Coimbra nesse ano e queria abrir um consultório em Lisboa, razão pela qual Afonso decidiu deixar Santa Olávia, a sua quinta no norte do país, e acompanhar o neto para Lisboa. Afonso da Maia, agora velho e calmo, fora um jovem apoiante do Liberalismo, ao contrário do seu pai, um Absolutista. Por esta razão, Afonso foi expulso de casa, mas, por influência de sua mãe, foi-lhe oferecida a Quinta de Santa Olávia. Alguns anos depois, Afonso partiu para Inglaterra, onde esteve algum tempo, mas de onde teve que voltar devido à morte do seu pai. Foi então que conheceu a mulher com quem viria a casar, D. Maria Eduarda Runa, de quem teve um filho e com quem partiria para o exílio, de volta a Inglaterra. Porém, D. Maria Eduarda, mulher de fraca saúde e católica devota, não se habituou à falta do sol quente que tinha em Lisboa nem ao Protestantismo. Assim, ordenou a um bispo português que viesse educar o seu filho, Pedro, já que não consentia que o seu filho fosse educado por um inglês, muito menos num colégio protestante. Por isso, apesar de Afonso se tentar impor, Pedro cresceu frágil, medroso e excessivamente mimado pela mãe. Algum tempo depois, a doença de D. Maria Eduarda agravou-se e a família voltou para Lisboa, onde ela acabou por morrer, causando um enorme desgosto no seu filho Pedro. Um dia, Pedro, recuperado do luto, apaixonou-se por Maria Monforte, uma mulher muito bela e elegante, filha de um negreiro. Por causa disto, Afonso da Maia opôs-se fortemente à relação do seu filho com Maria Monforte, mas, apesar disso, eles casaram-se às escondidas e partiram para Itália, deixando Afonso sozinho e desgostoso com a atitude do seu filho, cujo nome não foi pronunciado durante muitos anos naquela casa.

o      Capítulo II

   Pedro e Maria casam às escondidas, sem o consentimento de Afonso da Maia e partem para Itália. Porém, a mulher suspirava por Paris, para onde se mudaram pouco tempo depois, até Maria aparecer grávida. Nessa altura resolveram voltar para Lisboa, mas não sem antes escreverem a Afonso, pai de Pedro, anunciando a sua partida e o nascimento do seu primeiro neto, na esperança de que ele os perdoasse e os recebesse como família. Contudo, quando chegaram a Lisboa, ficaram a saber que Afonso tinha voltado para Santa Olávia, a sua quinta no norte do país, no dia anterior.

   Assim, o tempo passou e Maria Eduarda, filha do casal, nasceu. Pedro não informou o seu pai do nascimento da filha, por estar ainda magoado com a atitude dele, mas, quando o seu segundo filho nasce, põe a hipótese de se conciliar com o pai e resolve ir a Santa Olávia apresentar-lhe os netos. Contudo, esta visita foi adiada porque Pedro, numa caçada com os amigos, feriu acidentalmente italiano, Tancredo, que tinha sido condenado à morte e andava fugido. Por isso, Tancredo ficou a restabelecer-se durante muito tempo em casa de Pedro e Maria – tempo suficiente para Maria o conhecer, e se apaixonarem sem ninguém ter conhecimento, até ao dia em que Pedro descobre que ambos fugiram, levando com eles a sua filha, Maria Eduarda.

   Pedro decide então procurar consolo junto do pai, que o acolheu, assim como ao seu filho, Carlos, na casa de Benfica, para onde se tinha mudado entretanto. Porém, nesse mesmo dia, Pedro suicida-se ao saber que a mulher o tinha deixado para ir viver com o napolitano e Afonso decide fechar a casa de Benfica, vende-la e muda-se com o seu neto, Carlos, para a quinta de Santa Olávia.

o      Capítulo III

   A infância de Carlos é passada em  Santa Olávia, e é descrito um episódio onde se dá uma visita de Vilaça , o procurador dos Maias, á quinta. Descreve-se a educação liberal de Carlos, com um professor Inglês que dá primazia ao exercício físico e as regras duras que Afonso impõe ao neto. Também ficamos a conhecer os Silveiras: Teresinha, a primeira namorada de Carlos, a sua mãe e sua tia, e o seu irmão Eusebiozinho, o oposto de Carlos, muito frágil, tímido, medroso e estudioso. É sobretudo um capítulo de contraste entre as educações tradicional (Eusebiozinho) e à inglesa (Carlos). Vilaça dá notícias de Maria Monforte e de sua filha a Afonso, e segundo ele a sua neta morrera em Londres. Vilaça morre, o seu filho substitui-o como procurador da família. Alguns anos depois Carlos faz exame triunfal de candidatura à universidade.

o      Capítulo IV

  Carlos descobre a sua vocação para Medicina e matriculou-se com alegria na Universidade de Coimbra. Para que os seus estudos sejam mais sossegados, Afonso ofereceu ao neto uma casa em Celas, onde este, pelo contrário, exerce um tipo de vida quase boémio, sempre rodeado de amigos com ideias filosóficas e liberais. É sobretudo chegado a João da Ega, que estudava direito e era sobrinho de André da Ega, amigo de infância de Afonso. Pela altura da formatura de Carlos, deu-se uma grande festa na sua casa de Celas, depois da qual este partiu para uma viagem de um ano pela Europa. Ao fim desse tempo, Afonso esperava-o no Ramalhete, onde se iriam instalar (fim da grande analepse). Carlos tencionava montar um consultório e um laboratório em Lisboa, vontades que depressa satisfez com a ajuda do avô: o laboratório foi montado num velho armazém, e o consultório num primeiro andar em pleno Rossio. Carlos recebeu com alegria a visita do seu amigo Ega, que lhe anunciou que ia publicar o livro que andava a escrever havia já alguns anos – “Memórias de um Átomo” – que todos os que tinham ouvido falar esperavam com impaciência. Esse livro falava da história de vida de um átomo, que viveu desde o inicio da Terra até aos tempos de hoje.

o      Capítulo V

   Este capítulo inicia-se com uma festa no escritório de Afonso, no Ramalhete, que contava com a presença de D. Diogo, do general Sequeira, do Cruges, do Eusébio Silveira e do Conde Steinbroken. Todos sentiam a falta de Ega, pois ninguém o via há já vários dias. Entretanto, o negócio na clínica de Carlos já começara a ter alguma popularidade, devido ao seu sucesso com o caso da Marcelina ( a mulher do padeiro que tivera ás portas da morte). Mais tarde, Carlos finalmente encontra Ega e é desvendado o mistério do seu desaparecimento: estava apaixonado por Raquel Cohen, que era, infelizmente, casada. Durante uma conversa entre Carlos e Ega, Ega propõe a Carlos conhecer a família Gouvarinho. Carlos aceita. Após a um encontro com estes amigos de Ega, Carlos não parava de pensar na Condessa Gouvarinho. Estava apaixonado. Este capítulo acaba com uma ida de Carlos com a família Gouvarinho à ópera, e durante esta ocasião, a condessa mostra-se interessada em Carlos.

o      Capítulo VI

    Carlos pretende fazer uma visita surpresa a Ega, na Vila Balzac, casa que este comprara, mas tem muitas dificuldades em encontrar a sua casa. E quando finalmente chega ao local, não estava ninguém em casa para o receber. Depois ao encontrar Ega, dias mais tarde, este mostra-se indignado com o sucedido e combinam uma visita na sua casa. Carlos foi muito bem recebido, com o pajem à porta, muito champanhe e Ega mostra-lhe a sua casa. Muito exuberante e decorado tal e qual o temperamento do proprietário. Ega convida-se para jantar com Carlos e quando se prepara para sair, falam sobre a Gouvarinho e sobre o súbito desinteresse de Carlos pela senhora, após uma grande atracção. Esta atitude de Carlos para com as mulheres, era frequente e os dois conversam sobre o assunto. Na ida para o jantar, cruzam-se com Craft, amigo de Ega. Ega apresenta Carlos ao amigo. Combinam jantar no dia seguinte no Hotel Central. Ega faz questão que os dois amigos se conheçam melhor. Após alguns contratempos, Ega consegue marcar o jantar no Hotel Central com Carlos, Craft, Alencar, Dâmaso e Cohen (banqueiro e marido da sua amante), a quem Ega fez questão de homenagear, com um dos pratos: “Petits pois à la Cohen”. Discutiram vários temas ao longo do jantar como a literatura e as suas críticas, as finanças, e a história da política em Portugal naquele momento. O jantar acaba e Alencar acompanha Carlos a casa, lamentando-se da vida, do abandono por parte dos amigos e falando-lhe de seu pai, de sua mãe e do passado. Carlos recorda como soubera a história dos seus pais : a mãe fugira com um estrangeiro levando a irmã, que morrera depois, o pai suicidara-se. Carlos, já em casa, antes de adormecer e enquanto aguarda um chá, sonha com a mulher deslumbrante, uma deusa, com quem se cruzou à porta do Hotel Central, enquanto aguardava com Craft os restantes amigos para o jantar.

o      Capítulo  VII

    Depois do almoço, Afonso e Craft jogam uma partida de xadrez. Carlos tem poucos doentes e vai trabalhando no seu livro. Dâmaso à semelhança de Craft, torna-se íntimo da casa dos Maias, seguindo Carlos para todo o lado e procurando imitá-lo. Ega anda ocupado com a organização de um baile de mascaras na casa dos Cohen. Carlos, na companhia de Steinbroken em direcção ao Aterro, vê, pela segunda vez, Maria Eduarda acompanhada do marido. Carlos desloca-se várias vezes, durante a semana, ao Aterro na esperança de ver novamente Maria Eduarda. A condessa Gouvarinho, com a desculpa que a filha se encontrava doente, procura Carlos no consultório. Ao serão no Ramalhete, joga-se dominó, ouve-se música e conversa-se. Carlos convida Cruges a ir a Sintra no dia seguinte, pois tomara conhecimento, por intermédio de Taveira, que Maria Eduarda aí se encontrava na companhia de seu marido e de Dâmaso.

o      Capítulo VIII

    Neste capítulo, Carlos da Maia e o seu  amigo, o maestro Cruges, vão  visitar Sintra.  A ideia é de Carlos que  obriga Cruges a ir com ele. Cruges, que já não visitava Sintra desde os 9 anos, acaba por ficar rendido à ideia e prepara-se para desfrutar do passeio. Esta viagem tem o propósito escondido por Carlos, de procurar um encontro fortuito coma Sra. Castro Gomes, que ele julgava em Sintra. Após algumas horas de viagem de break, chegam a Sintra e logo se vão instalar no Hotel Nunes, por sugestão de Carlos, que temeu que ao instalarem-se no Lawrence’s Hotel, se cruzassem de imediato com os Castro Gomes, perdendo o seu encontro aquele efeito de casualidade que ele lhe procurava empregar. Aí encontram o amigo Eusebiozinho, acompanhado por um amigo, Palma, e duas senhoras espanholas, acompanhantes de ambos. Após um pequeno episódio cómico, em que uma das espanholas se enfureceu, Carlos e Cruges, partem num pequeno passeio pedestre para visitar Seteais. Pelo caminho encontram outro amigo, Alencar, o poeta, vindo justamente de Seteais, mas que fez questão de os acompanhar lá, fazendo aquele caminho pela segunda vez nesse dia. Chegados a Seteais, Cruges, que não conhecia o local, ficou desapontado quando verificou o estado de abandono em que se encontrava a construção. Depressa Alencar o fez pensar doutro modo, ao apontar-lhe os pormenores do local e a beleza da vista. De volta ao casario, passaram pelo Lawrence e foram ver, por breves instantes, o Paço e o seu Palácio, após o que voltaram ao e se sentaram a tomar um cognac. Carlos já informado sobre o destino dos Castro Gomes, que haviam deixado Sintra na véspera, e Carlos decide voltar para Lisboa. Resolveram jantar no Lawrence, para evitarem o amigo Eusebiozinho e sua trupe. No entanto, como tiveram de ir ao Nunes para pagar a conta, lá acabaram por encontrar o amigo de quem depressa se despediram. De volta ao Lawrence, onde Alencar os esperava para o jantar especial de bacalhau, preparado pelo próprio, mercê de especial favor da cozinheira, iniciaram-se no belo repasto, que só acabou já passava das oito. Depois do jantar lá se sentaram no break de volta a Lisboa, dando boleia a Alencar que também estava de partida.

o      Capítulo IX


   Já no Ramalhete, no final da semana, Carlos recebe uma carta a convidá-lo a jantar no Sábado seguinte nos Gouvarinhos; entretanto, chega Ega, preocupado em arranjar uma espada conveniente para o fato que leva nessa noite ao baile dos Cohen. Dâmaso também aparece de repente, pedindo a Carlos para ver um doente "daquela gente brasileira", os Castro Gomes - a menina Rosa. Os pais tinham partido essa manhã para Queluz. Ao chegar ao Hotel, Carlos verifica que a pequena já estava óptima. Carlos dá uma receita a Miss Sara, a governanta.

  Ega vai ao Ramalhete pedir emprestado uma espada para a sua máscara para a festa na Casa dos Cohen em honra dos anos de Raquel. Às 10 horas da noite, ao preparar-se para o baile de máscaras, aparece Ega (mascarado de Mefistófeles), dizendo que o Cohen o expulsara (ao que parece, descobrira o caso de Raquel e Ega), e Ega quer desafiar o Cohen num duelo, mas Carlos e Craft desmotivam-no. No dia seguinte, nada acontece, excepto a vinda da criada de Raquel Cohen, anunciando que ela tinha sido espancada pelo seu marido e que partiam para Inglaterra, deixando Portugal. Ega dorme nessa noite no Ramalhete e decide deixar Lisboa.

  Na semana seguinte, só se ouve falar do Ega e do mau carácter que ele é. "Todos caem-lhe em cima", pois para além disto, só lhe acontecem desgraças. Carlos vai progressivamente ficando íntimo dos condes de Gouvarinho. Visita a Gouvarinho e dá-lhe um tremendo beijo, mesmo antes da chegada do conde Gouvarinho.




Os Maias III

o      Capítulo X

  Passam-se 3 semanas. Carlos sai de um coupé, onde acabara de estar com a Gouvarinho, mas já estava farto dela e dos seus encontros às escondidas, e quer ver-se livre da Gouvarinho. Nessa altura vê Rosa a acenar de um coupé com a sua mãe, que lhe sorri. Combina com o Dâmaso, no Ramalhete, levar os Castro Gomes a ver o bricabraque do Craft, nos Olivais, mas isto não se concretiza a ideia pois o sr. Castro Gomes partira para o Brasil em negócios. Chega o dia das corridas de cavalos e há uma grande confusão à porta do hipódromo. É descrito do ambiente dentro do hipódromo. Depois há uma grande confusão com um dos jóqueis que perdera uma corrida. E anda tudo á briga, num rebuliço total! Lá nas corridas, encontra a Gouvarinho, que lhe propõe irem de comboio ate Santarém, uma vez que ela ia para o Porto (pois o seu pai estava mal), e dormiam no hotel em Santarém ( uma "rapidinha"), e daí cada um seguia para o seu lado. Depois, fazem-se apostas; todos apostam em Minhoto, mas Carlos aposta em Vladimiro, que vence e Carlos ganha 12 libras, facto muito comentado. Encontra Dâmaso, que lhe informa que o Castro Gomes afinal tinha ido para o Brasil e deixara a mulher só por uns 3 meses – Carlos fica todo contente. Discute com a Gouvarinho, mas acaba por aceder ao desejo do encontro em Santarém, mas agora apenas consegue pensar na mulher de Castro Gomes. Ao descobrir que ela vivia no prédio de Cruges, pois alugara a casa á mãe do Cruges, proprietária do prédio, Carlos vai à R. de S. Francisco com o pretexto de visitar o Cruges, mas ele não estava. Volta para o Ramalhete e lá descobre que tinha uma carta da Castro Gomes pedindo-lhe que a visite no dia seguinte, por ter "uma pessoa de família, que se achava incomodada". Carlos fica todo contente.

o      Capítulo XI

   Carlos vai visitar a Sra. Castro Gomes, e descobre o seu nome, Maria Eduarda (descrição de Maria Eduarda - uma deusa). É a governanta, Miss Sara, que estava doente - tinha uma bronquite. Carlos conversa com Maria Eduarda, passa-lhe a receita e diz-lhe cós cuidados que deve ter com Sara, dizendo que terá de observá-la diariamente.

   Nessa noite Carlos iria ter com a Sra Gouvarinho para a fantástica noite em Santarém, mas Carlos começava a repudiá-la, a odiá-la. Por sorte, o Gouvarinho decidiu à última da hora ir com a mulher para o Porto, o que convém muito a Carlos, assim como a morte de um tio de Dâmaso em Penafiel, deixando-lhes os "entraves" fora de Lisboa.

   Nas semanas seguintes, Carlos vai-se familiarizando com Maria Eduarda, graças à doença de Miss Sara. Falam ambos das suas vidas e dos seus conhecidos. Dâmaso volta de Penafiel e vai visitar Maria Eduarda. Ao chegar lá vê Carlos com "Niniche" (a cadela de Maria) ao colo, que lhe rosna e ladra - Dâmaso fica zangado e cheio de ciúmes. Os Cohen regressam de Inglaterra e que Ega está para chegar de Celorico.

o      Capítulo XII

   Ega chega de Celorico e instala-se no Ramalhete. Informa Carlos de que viera com a Gouvarinho, e de que o conde os convidara para jantar na próxima 2ª feira. Depois, nesse jantar, a Gouvarinho zangada com Carlos e com ciúmes da sua proximidade com Maria Eduarda, passa o tempo a mandar-lhe indirectas. O clima suaviza-se durante o jantar, devido aos ditos irreverentes do Ega. De seguida, a pretexto de um mal-estar de Charlie (filho dos Gouvarinho), a Teresa beija Carlos nos aposentos interiores, como que reconciliando-se e perdoa-lhe.

   Na 3ª feira, depois de um encontro escaldante com a Gouvarinho na casa da sua titi, Carlos chega atrasado à casa de Maria Eduarda". No meio da conversa, Domingos anuncia Dâmaso e Maria Eduarda recusa-se a recebê-lo - Dâmaso fica furioso. Maria fala a Carlos sobre uma possível mudança de casa (e ele pensa logo na casa do Craft, decidindo comprá-la para ela). Carlos deixa escapar que a "adora" depois de uma troca de olhares, beijam-se. Na 4ª feira, Carlos conclui o negócio da casa com o Craft. Maria Eduarda fica um pouco renitente com a pressa de tudo, mas acaba concordando, com um novo beijo.

   Ega, mostra-se insultado pelo segredo que Carlos faz de tudo, mas este acaba por lhe contar que se apaixonou e envolveu com Maria Eduarda.

o      Capítulo XIII

   Ega informa a Carlos de que Dâmaso anda a difamá-lo a ele e a Maria Eduarda. Carlos fica furioso, querendo matá-lo e ao encontrá-lo na rua, ameaça-o. Depois, faz os preparativos para a mudança de Maria Eduarda para os Olivais.

  No sábado, Maria Eduarda visita a sua nova casa nos Olivais (descrição da casa e das suas belas colecções). Depois da visita e do almoço, Carlos e Maria Eduarda envolvem-se.

  No domingo é o aniversário de Afonso da Maia, e todos os amigos da casa estão presentes. Descobre-se que Dâmaso estava a namorar a Cohen. Depois a Gouvarinho aparece querendo falar com Carlos - acabam por discutir sobre a ausência de Carlos e depois terminam tudo.

o      Capítulo XIV

   Afonso parte para Sta. Olávia e Carlos fica sozinho no Ramalhete, pois Ega parte para Sintra (e curiosamente os Cohen também). Maria Eduarda instala-se nos Olivais, e Carlos passa a frequentar a casa todos os dias, e eles pretendem fugir até Outubro para Itália e casar lá, mas Carlos pensa no desgosto que dará ao avô (porém a sua felicidade supera). Descreve-se as idas de Carlos aos Olivais: os encontros com Maria Eduarda e as relações que tinham no quiosque japonês e também as noites que Carlos passa com ela, às escondidas. Acaba por alugar uma casa perto dos Olivais para ele ficar, enquanto não está com Maria na Toca (nome dado aos Olivais). Numa dessas noites, descobre Miss Sara enrolada no jardim da casa com o jornaleiro. Sente vontade de contar tudo a Maria Eduarda mas, à medida que pensa no caso, decide não dizer nada.

   Chega Setembro. Craft, regressado de Sta. Olávia para o Hotel Central, diz a Carlos que pareceu-lhe estar o avô desgostoso por Carlos não ter aparecido por lá. Então, Carlos decide ir vistar Afonso, mas antes leva Maria a visitar o Ramalhete (e Maria Eduarda refere que às vezes Carlos faz-lhe lembrar a sua mãe e conta-lhe a sua história - a mãe era da ilha da Madeira que casara com um austríaco e que tinha tido uma irmãzinha, que morrera em pequena).

   Uma semana depois Carlos regressa de Sta Olávia e fala com Ega que voltara de Sintra. Nessa noite, Castro Gomes aparece no Ramalhete, com uma carta anónima que lhe tinham mandado para o Brasil, dizendo que a sua mulher tinha um amante, Carlos da Maia. Carlos fica estupefacto, e acaba pró perceber que era a letra de Dâmaso. Depois, Castro Gomes conta-lhe que não é marido de Maria Eduarda, nem pai de Rosa, e que apenas vivia amigado com ela. Diz-lhe também que se vai embora, e que Maria Eduarda se chama Madame Mac Gren. Furioso pela mentira de Maria, Carlos decide ir confrontá-la. Ao entrar, sabe por Melanie, a criada, que o Castro Gomes já lá tinha estado. Maria Eduarda, a chorar, pede perdão a Carlos de não lho ter contado, pois tinha medo que ele a abandonasse, e conta então a verdadeira história da sua vida. Depois de uma grande cena de choro, Carlos pede-a em casamento.

 

o      Capítulo XV

   Na manhã seguinte, perguntam a Rosa se quer o Carlos como "papá", que fica toda feliz e aceita. Maria Eduarda conta toda a sua vida detalhadamente. Dias depois, Carlos conta tudo o que se passara a Ega que lhe diz que seria melhor esperar que o avô morresse para então se casar, pois Afonso estava velho e débil e não aguentaria o desgosto.

 Carlos e Maria Eduarda começam a dar jantares de amizade dados nos Olivais, e todos os amigos de Carlos se começam a familiarizar com ela. Mais tarde, Carlos, através do Ega, um n.º da Corneta do Diabo, que o difama, denunciando o passado de Maria Eduarda e a sua relação com ela. Carlos passa-se e decide matar quem escreveu o artigo; descobre depois, com a ajuda de Ega, o editor do artigo, Palma, que o tinha feito a pedido de Dâmaso e Eusebiozinho, e Palma entrega-lhe as provas ( tendo isto um custo para Carlos claro). Carlos manda os seus padrinhos, Ega e Cruges, pedir a honra ou a vida a Dâmaso, que acaba por escrever uma carta de desculpas a Carlos, ditada por Ega, em que afirmava sem um bêbado. Satisfeito, Carlos entrega a carta a Ega agradece-lhe. Depois, Ega ao ver Dâmaso com Raquel e ainda o provocar por isso, decide publicar a carta no jornal e assim humilhar Dâmaso, que envergonhado parte para a Itália. Afonso regressa de Sta. Olávia, Carlos abandona a casa que alugara perto dos Olivais e Maria Eduarda volta para o apartamento da mãe de Cruges na Rua de S. Francisco, deixando a Toca.

o      Capítulo XVI

   Carlos e Ega vão ao sarau da Trindade ouvir o Cruges e o Alencar, que nessa noite vão lá estar. Aí, ouvem o discurso de Rufino sobre a família real e Ega conhece Mr. Guimarães, o tio de Dâmaso que vivia em Paris e trabalhava no jornal, que lhe viera pedir explicações sobre a carta que Dâmaso escrevera, que lhe disse ter sido Ega a obrigá-lo a fazer. Ega e Guimarães acabam por resolver tudo e ficam amigos. Cruges toca, mas é um fiasco, pois ninguém lhe liga nenhuma. Depois, Carlos vê o Eusebiozinho e vai atrás dele e dá-lhe uns "abanões" e um pontapé devido á história da carta. Quando regressa ao sarau já Alencar começara a declamar o sue poema "Democracia" e a encantar a sala. Todos adoraram o que Tomás dissera acerca do estado da política em Portugal, um puro exemplo de realismo, o estilo que agora predominava. Mais tarde, quando Ega se ia embora, Guimarães aparece dizendo lhe que tem um cofre da mãe de Carlos para entregar à família, que esta lhe tinha pedido antes de morrer. No meio da conversa, Ega descobre que Carlos tem uma irmã, e Guimarães diz tê-los visto aos três numa carruagem: Carlos, Ega e a irmã, Maria Eduarda. Depois, Guimarães conta a Ega o passado de M.ª Monforte inclusive a mentira que ela dissera a Maria Eduarda sobre o seu pai, e diz que Maria é filha de Pedro da Maia, pois ele era amigo da família e nessa atura já os visitava. Fala também da fuga da Monforte com Tancredo, da filha que eles tiveram e morreu em Londres, e depois, da vida de Maria Eduarda no convento, que ele próprio a visitara. Guimarães entrega o cofre a Ega, que chocado com a verdade, decide pedir ajuda a Vilaça para contar tudo a Carlos.

o      Capítulo XVII

   Ega sem coragem para contar tudo a Carlos, procura Vilaça e conta-lhe tudo. Juntos, abrem o cofre da Monforte e acham lá uma carta dela para Maria Eduarda onde diz toda a verdade: ela é filha de Pedro da Maia. No dia seguinte, Vilaça e Ega contam a verdade a Carlos, que não acredita no que lhe contam, e aflito, procura o avô e conta-lhe tudo, com esperança que este lhe desminta a história. Mas Afonso acaba por confirmar, e em segredo diz a Ega que sabe que Carlos tem um caso com Maria Eduarda. Apesar de já saber a verdade, nessa noite Carlos vai ter com Maria Eduarda; primeiro pensara em dizer-lhe tudo e depois fugir para Sta. Olávia, mas depois, incapaz, acaba por deixar-se levar por ela e ali ficar. Continuava a ama-la, e o facto de serem irmão não mudava o que ele sentia. 3 Dias passam.

   Afonso da Maia sabe que Carlos continua a encontrar-se com Maria Eduarda, e fica desolado. Ega furioso com o comportamento de Carlos, confronta-o e ele decide partir no dia seguinte para os Olivais. No dia seguinte, Baptista (o seu criado) chama-o, dizendo a Carlos que o avô estava desmaiado no jardim. Carlos corre lá vê o avô estava morto (suponho ser trombose, visto que tinha um fio de sangue aos cantos da boca). Carlos fica triste, desolado, e culpa-se a si mesmo da morte do avô, pois achava que era pelo avô saber tudo que tinha morrido. Ega escreve um bilhete a informar Maria Eduarda do facto. Vilaça toma as providências para o funeral. Os amigos da família reúnem-se no velório e recordam Afonso e a juventude. Dá-se o enterro e Carlos parte para Sta. Olávia, pedindo a Ega para ir falar com Maria Eduarda e lhe contar tudo e dizer-lhe que parta para Paris, levando 500 libras. Ega fala com Maria Eduarda, que parte no dia seguinte para Paris, para sempre.

 

 

 

o      Capítulo XVIII

   Passam-se semanas. Sai na "Gazeta Ilustrada" a notícia da partida de Carlos e Ega numa longa viagem pelo mundo: Londres, Nova York, China, Japão. Um ano e meio depois Ega regressa trazendo consigo a ideia de escrever um livro, "Jornadas da Ásia"e contando que Carlos ficara em Paris, onde alugara um apartamento, pois não queria mais lembrar a Portugal

   Dez anos depois Carlos chega a Lisboa para matar saudades e almoça no Hotel Bragança com Ega, que lhe conta as novidades: que a sua mãe morrera, que a Sra. Gouvarinho herdara uma fortuna e agora estavam mais Aparece o Alencar e o Cruges, que falam desse anos que passaram: Alencar cuidava agora da sobrinha, pois a sua irmã morrera e Cruges escrevera uma ópera cómica, a “ Flor de Sevilha” que lhe valera o merecido reconhecimento; Craft mudara-se para Londres; O marquês de Souzela morrera; D. Diogo casara-se com a cozinheira; O general Sequeira fora morto; Taveira continuava o mesmo; e Steinbroken era agora ministro em Atenas. Depois, combinam um jantar e Ega e Carlos vão visitar o Ramalhete. Pelo caminho encontram o Dâmaso, que casara com a filha mais nova de um comerciante falido e que para além de ter de sustentar toda a família, a mulher traia-o. Aos poucos, Carlos toma consciência do novo Portugal que existe agora, anos passados. Vêm Charlie que passa por eles e Carlos vê que ele está um homem ( Ega insinua que ele é maricas,). Depois, encontram Eusébio, que fora obrigado a casar com uma mulher forte, pois o pai dela apanhara-os a namorar.

   No Ramalhete, a maior parte das decorações (tapetes, faianças, estátuas) já tinham ou estavam a ser despachadas para Paris, onde Carlos vivia agora, e que lá se guardavam os móveis e outros objectos trazidos da Toca. Carlos relembra Maria Eduarda e conta a Ega que recebera uma carta dela. Ia casar com um tal de Mr. de Trelain, decisão tomada ao fim de muitos anos , e que tinha comprado uma quinta em Orleães, “ Les Rosières”. Carlos encara este casamento de Maria Eduarda como um final, uma conclusão da sua história, era como se ela morresse, como se a Maria Eduarda deixasse de existir e passasse apenas a haver a Madame de Trelain. Passam pelo escritório de Afonso que lhes trás tristes recordações e depois, Ega e Carlos que não vale a pena viver, pois a vida é uma treta. Por mais que tentemos lutar para mudá-la, não vale a pena o esforço, porque tudo são desilusões e poeira. Saem do Ramalhete e vêem que estavam atrasados para o jantar e ao verem o coche ir-se embora, correm atrás dele…


 




Os Maias IV

Personagens de Os Maias

  • Afonso da Maia
  • Maria Eduarda Runa
  • Pedro da Maia
  • Maria Monforte
  • Manuel Monforte
  • Carlos da Maia
  • Maria Eduarda
  • Vilaça pai
  • Manuel Vilaça júnior
  • João da Ega
  • Tancredo
  • Tomás de Alencar
  • Dâmaso Salcede
  • Os condes de Gouvarinho
  • Brown, o inglês, Brown era o tutor de Carlos da Maia, apoiava a educação do corpo e só depois a educação da mente.
  • Os Cohen
  • Craft
  • Vitorino Cruges ( o maestro)
  • Steinbroken
  • O Marquês de Souzela
  • Rosa
  • Mr de Guimarães
  • Miss Sara
  • Melanie
  • Castro Gomes
  • Eusebiozinho Silveira
  • D. Maria da Cunha
  • A baronesa de Alvim
  • Palma "Cavalão"
  • Baptista ( o criado de Carlos)
  • Taveira
  • General Sequeira
  • Reverendo Bonifácio, o gato de Afonso
  • D. Diogo

 

 



Lugares de Os Maias

  • Lisboa (O aterro, a Rua de S. Francisco, o Rossio, etc.)
  • O Ramalhete
  • Coimbra
  • A quinta dos olivais ( a Toca)
  • Apartamento na Rua de S. Francisco
  • A quinta de Santa Olávia
  • Hotel Central
  • Sintra (Hotel Lawrence, Hotel Nunes, Seteais, o palácio do Paço)
  • Inglaterra
  • França

 

 

 

 

 

 

 

 


 



publicado por miss.bree às 00:50
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Os Maias V

Lisboa do tempo dos Maias

   Há em “Os Maias” um retrato da Lisboa da época. Quem conheça Lisboa pode espantar-se com o muito que as personagens andam a pé – Carlos, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha com frequência até ao Rossio (embora, por vezes, vá a cavalo ou de carruagem), coisa que, hoje, poucos lisboetas se disporão a fazer. Algumas das lojas citadas no livro ainda existem – a Casa Havaneza, no Chiado, por exemplo. É possível seguir os diferentes percursos de Carlos ou do Ega pelas ruas da Baixa lisboeta, ainda que algumas tenham mudado de nome. No final do livro, quando Carlos volta a Lisboa muitos anos depois, somos levados a ver as novidades – a Avenida da Liberdade, que substituiu o Passeio Público, e que é descrita como uma coisa nova, e feia pela sua novidade, exactamente como nos anos 70 se falava das casas de emigrante.



 

A crítica social

   O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma «choldra ignóbil». Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as «civilizações superiores» – da França e Inglaterra, principalmente.

   Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógradas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega…: lembre-se o que se passou no Sarau do Teatro da Trindade); os jornalistas boémios e venais (Palma…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia, são feias.

   Para cúmulo de tudo isto, os protagonistas acabam «vencidos da vida». Apesar de ser isto referido no fim do livro, pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um "prato de paio com ervilhas", ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano (eléctrico).

   Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.

   Quando o autor escreve mais tarde A Cidade e as Serras, expõe uma atitude muito mais construtiva: o protagonista regenera-se pela descoberta das raízes rurais ancestrais não atingidas pela degradação da civilização, num movimento inverso ao que predomina n’Os Maias.

   Neste romance há uma abordagem científica. O romance foi escrito numa altura em que as ciências floresciam. Eça joga nele com o peso da hereditariedade (Carlos teria herdado da avó paterna e do próprio pai o carácter fraco, e da mãe a tendência para o desequilíbrio amoroso), e da acção do meio envolvente sobre o indivíduo (Carlos fracassa, apesar de todas as condicionantes que tem a seu favor, porque o meio envolvente, a alta burguesia lisboeta, para tal o empurra). A psicologia dava os seus primeiros passos – é assim que Carlos, mesmo sabendo que a mulher que ama é sua irmã, não deixa de a desejar, uma vez que não basta que lhe digam que ela é sua irmã para que ele como tal a considere.


 



publicado por miss.bree às 00:21
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Euzinha
pesquisa aqi q nao vais muito longe
 
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